Privatização: setor bancário será um dos mais atingidos, afirma dirigente sindical

O presidente do Sindicato dos Bancários de Alagoas, Márcio dos Anjos Silva, foi um dos entrevistados  no programa Folha na TV, apresentado pelo jornalista Cícero Filho e exibido na TV Maceió, canal 12 da NET. Dos Anjos falou sobre a atual situação dos bancários em Alagoas e apontou à necessidade dos trabalhadores se unirem cada vez mais em torno das lutas.

Márcio disse que a categoria é a única do Brasil que tem uma convenção coletiva nacional com vigência até 2020, no entanto, fez um alerta sobre o risco do não cumprimento por parte dos banqueiros. Confira abaixo os principais pontos da entrevista que o dirigente sindical concedeu ao programa Folha na TV.

Privatização

O setor bancário talvez seja o mais afetado, até porque têm os interesses dos banqueiros por trás disso. Com a lei da terceirização irrestrita e a reforma trabalhista o campo ficou muito mais fértil para eles privatizarem. O início desse processo começou lá com o Fernando Henrique Cardoso onde houve uma destruição dos bancos públicos estaduais e a entrega desse patrimônio ao capital privado. Contudo, agora a investida é muito mais forte e com a aprovação dessas duas medidas, terceirização irrestrita e reforma trabalhista, o campo ficou muito mais fértil. Não tenho nenhuma dúvida que a investida no setor visando a privatização será intensa.

Reforma da Previdência

É mais um engodo assim como foi à reforma Trabalhista. A alegação para esta reforma (Trabalhista) era a modernização das leis e a geração de emprego, mas na verdade o que se pretendia e aconteceu de fato foi a precarização do emprego. A quem efetivamente interessa a reforma da Previdência? Aos donos de previdência complementar. A ideia é destruir a Previdência, que é saudável do ponto de vista financeiro, pois ela não tem déficit, e entregar ao regime complementar privado. Lembrando que estamos falando de Seguridade Social, portanto um tripé que tem Previdência, Assistência Social e Saúde. Se ela (reforma da Previdência) é tão boa assim porque não se faz incluindo todos, polícias, juízes e políticos? Enfim, é mais uma mentira.

Centrais, sindicatos e o Governo PT

Erros foram cometidos. As pessoas precisam compreender, sobretudo às lideranças, que é preciso saber separar as coisas. Tem que saber separar a questão da política partidária da política sindical. Admito que durante os governos do PT houve um certo marasmo. Arrefeceu um pouco o movimento. Não foi como a imprensa colocou, ou seja, que houve um atrelamento das centrais sindicais ao Partido dos Trabalhadores, isso não é verdade. Mas que poderia ter sido muito mais efetiva à defesa dos trabalhadores independentemente de que governo estava no poder, isso poderia.

Tecnologia X manutenção dos empregos

Uma suposta resistência à tecnologia por parte dos trabalhadores visando à manutenção de empregos não é verdade. Hoje o setor bancário, do ponto de vista do emprego, já é atingido pela própria automação. Mais de 50% das transações já são feitas através de celulares. E se você somar isso a questão do autoatendimento, intranet, correspondentes bancários e outros meios, esse número chega a 96%. É um caminho sem volta. Não há resistência, o que existe é a tentativa de resguardar o emprego, porque nós entendemos que a peça mais importante é o ser humano.

CURTE OU NÃO CURTE?

No quadro ‘curte ou não curte’ do programa Folha na TV são apresentadas ao entrevistado imagens pedindo que este diga se curte ou não curte e faça um breve comentário. Vejamos, portanto, as respostas do dirigente sindical dos bancários em Alagoas.

Governador Renan Filho – CURTE. “Tenho andado pelo estado e visto uma boa política em relação à questão das estradas, uma política séria em relação ao pagamento dos servidores, o melhoramento da segurança pública, enfim, o Governo Renan Filho me surpreendeu positivamente”.

Bancos privados – NÃO CURTE. “Mesmo sendo um bancário não curto, pois o viés adotado é meramente do lucro”.

George Santoro – NÃO CURTE. “Não curto. Sem comentários”.

Crédito imobiliário – CURTE. “Essa política tem que ser cada vez mais ampliada para as pessoas que mais necessitam. Houve uma diminuição no déficit habitacional do país entre 2003 e 2012, no entanto ainda é grande. Agora estão tirando recursos dessa área numa tentativa de excluir os mais pobres dessa coisa tão importante que é a casa própria”.

Ex-presidente Lula – CURTE. “ Para mim um preso político. Até hoje não foi apresentada nenhuma prova contra o presidente Lula. É a maior liderança popular que esse país teve depois de Getúlio Vargas”.

Redação