Alagoas é um dos poucos estados a não oferecer a PrEP, que previne o HIV

Guilherme Carvalho Filho – Repórter

Já imaginou tomar um comprimido por dia e diminuir de maneira significativa, chegando quase à zero, se utilizado da forma correta, as chances de contrair o HIV em caso de uma exposição de risco?

É basicamente assim que funciona o método de prevenção ao HIV oferecido pelo Ministério da Saúde. Entretanto, Alagoas é um dos poucos Estados do Brasil que ainda não oferece a PrEP, como é chamada Profilaxia Pré-Exposição.

A capital alagoana, conforme apurou a reportagem da Folha de Alagoas, foi a única cidade do estado a conseguir a habilitação para oferecer esse novo procedimento, mas o serviço ainda não está sendo disponibilizado à população. O universitário Lucas da Silva, de 23 anos, esteve no Pan Salgadinho, mas saiu frustrado ao receber a notícia que Maceió ainda não ofertava o método.

A falta de profissionais, de acordo com Géssyka Cavalcante de Melo, coordenadora do bloco I, do Pan Salgadinho, era o motivo. Mas, a enfermeira garante que foram contratados dois médicos, sendo um clínico geral e um infectologista, para dar início ao tratamento para quem precisa.

“A nossa meta era iniciar a distribuição da PrEP no ano passado, mas uma de nossas médicas pediu exoneração e ficamos sem recursos humanos. Entrei em contato com a Secretaria Municipal de Saúde (SMS) e conseguimos a contratação de dois médicos, que darão suporte tanto aos pacientes com HIV, quanto a quem vai começar a PrEP”, disse a enfermeira.

A coordenadora do bloco I acredita que, até a o final de maio, o serviço estará disponível ao público alvo, dentre eles são homens que fazem sexo com homens, pessoas sem parceiro fixo e alheias ao uso do preservativo, profissionais do sexo, usuários de drogas e casais sorodiscordantes (um dos parceiros é soropositivo e o outro, não). “Conversamos com o Governo do Estado e já solicitamos a medicação de volta”, reforçou.

A enfermeira creditou ainda a morosidade para oferecer a PrEP devido a grande demanda que o bloco I tem. “Atendemos pacientes de todo o Estado. O Hospital Universitário retomou o atendimento a pessoas com HIV recentemente, e o Helvio Auto só recebe casos específicos. Então, estamos sobrecarregados”.

Conforme o Ministério da Saúde, para aderir à prevenção, será preciso passar por uma avaliação feita por profissionais de saúde sobre a vulnerabilidade do paciente, que vai considerar comportamento sexual e outros contextos de vida. Para que tenha efeito, a PrEP precisa ser de uso contínuo, ou seja, o medicamento deve ser tomado todos os dias.

Para a enfermeira Géssyka Melo, há um reforço necessário a ser feito, mesmo utilizando a PrEP: a utilização do preservativo nas relações sexuais. “Só a camisinha previne das outras infecções sexualmente transmissíveis – como a sífilis e gonorreia. além de evitar a gravidez. Por essa razão é importante o uso dela”, defende a coordenadora do bloco I.

PEPXPREP

A Profilaxia Pré-Exposição ao HIV é um novo método de prevenção à infecção pelo HIV. A PrEP consiste na tomada diária de um comprimido que impede que o vírus causador da aids infecte o organismo, antes de a pessoa ter contato com o vírus.

“A maneira mais segura ainda de se combater o HIV e as outras Infecções Sexualmente Transmissíveis (IST’s) é utilizando o preservativo”, completou o infectologista Fernando Maia.

Já a Profilaxia Pós-Exposição (PEP) é um tratamento com terapia antirretroviral (TARV) por 28 dias para evitar a sobrevivência e a multiplicação do HIV no organismo de uma pessoa. Segundo o infectologista Fernando Maia, ela é indicada para as pessoas que podem ter tido contato com o vírus em alguma situação, como: violência sexual, relação sexual desprotegida ou acidente de trabalho, com instrumentos perfurocortantes.

Para funcionar, a PEP deve ser iniciada logo após a exposição de risco, em até 72 horas. O especialista adverte que a PEP não deve ser substituída pela camisinha. Segundo ele, o uso de preservativos masculinos e femininos é ainda a principal e mais eficiente maneira de se evitar o HIV. “Jamais deixe de utilizar camisinha e se proteger em toda relação sexual”, reforçou.