Alagoas, 19 de fevereiro de 2020

Balança comercial registra menor superávit desde 2015; lei de abuso de autoridade entra em vigor


Os principais jornais do país destacam que a balança comercial brasileira fechou 2019 com saldo positivo em US$ 46,7 bilhões, um número 19,6% abaixo do registrado em 2018. É também o menor superávit desde 2015, ano em que o resultado ficou em US$ 19,5 bilhões.

A crise argentina e a disputa comercial entre Estados Unidos e China são apontados como os principais fatores para o “freio” do comércio. As exportações fecharam o ano passado com um valor somado de US$ 224 bilhões, queda de 7,5% em relação ao registrado na média de 2018.

Em seu título principal, O Estado de S.Paulo informa que as importações encerraram 2019 com um saldo de US$ 177,3 bilhões, com queda de 3,3% na média diária. Segundo o jornal, as mercadorias que registraram as maiores quedas nas vendas externas são as industrializadas, como carros e autopeças.

De acordo com o matutino, o setor automotivo brasileiro registrou queda de 11,1% na média diária. Principal país importador de carros e autopeças do Brasil, a Argentina diminuiu suas compras em 35,6%. O país vizinho enfrentou, em 2019, mais um ano de recessão.

O secretário de Comércio Exterior do ministério da Economia, Lucas Ferraz, afirmou nesta quinta (2) que o foco do governo do presidente Jair Bolsonaro não é a obtenção de saldos comerciais, mas uma elevação da corrente de comércio (soma do volume de importações e exportações). “Argentina e disputa entre EUA e China reduzem saldo comercial”, diz a manchete do Estadão.

Balança comercial tem menor resultado em quatro anos

Em seu texto principal, O Globo informa que, para analistas, o resultado vai piorar ainda mais neste ano. De acordo com o jornal, a tendência é que as importações cresçam em 2020. O possível recuo consecutivo no saldo final deste ano será causado pela incerteza em relação à guerra comercial entre EUA e China e o crescimento global modesto.

Segundo o matutino carioca, o “efeito China” foi o que mais pesou na queda das exportações. A febre suína, que fez o país oriental perder aproximadamente metade da produção de porcos, derrubou a demanda chinesa pela soja brasileira, base da alimentação do animal, da criação ao abate.

As exportações do grão diminuíram US$ 6,7 bilhões e a perda não foi compensada pelo aumento das vendas de carne, que ficaram abaixo de US$ 1 bilhão.

Já a recessão argentina foi responsável por um impacto negativo de US$ 5,2 bilhões nas exportações de manufaturados. Segundo o Globo, pela primeira vez em 16 anos o Brasil encerrou o ano com déficit comercial com o país vizinho. “Com freio global, comércio exterior é o pior em 4 anos”, sublinha a manchete do Globo.

Lei de abuso de autoridade

Em sua reportagem principal, a Folha informa que a nova lei de abuso de autoridade, que entra em vigor nesta sexta-feira (3), deve colocar em xeque procedimentos que se tornaram marca da operação Lava Jato: a decretação de prisões preventivas e a condução coercitiva de investigados sem intimação prévia.

Tornar pública conversas pessoais, como as relacionadas ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e divulgadas em 2016 pelo então juiz federal Sérgio Moro, podem levar a até quatro anos de prisão. O matutino paulista lembra que boa parte dessas ações já era proibida, porém com punições brandas.

Apesar da nova lei atingir policiais, integrantes do Ministério Público e do Judiciário, especialistas ouvidos pela Folha duvidam que a legislação leve a uma onda de punições. As representações contra abuso de autoridade terão que ser ajuizadas pelo Ministério Público e julgadas por um magistrado. “Lei de abuso de autoridade será desafio para Lava Jato”, aponta a manchete da Folha.

G1