A Unimed Maceió apresentou ao Ministério Público Estadual denúncia após detectar fortes indícios de más práticas e de fraudes praticadas por clínicas prestadoras de serviços a beneficiários com transtornos globais do desenvolvimento, como Transtorno do Espectro Autista (TEA) e Síndrome de Down.
As irregularidades afetam gravemente a qualidade do serviço prestado a crianças e adolescentes, motivo pelo qual foram denunciadas. A Unimed, porém, preservou os nomes das clínicas, sem revelar à imprensa.
Entre as anormalidades constatadas pela Unimed estão a falta de critério clínico para terapias, manipulação e generalização de prescrições médicas, a ausência de planos de acompanhamento dos pacientes e a cobrança de tratamentos não realizados.
O plano de saúde afirma que o tratamento de crianças diagnosticadas com TEA e Síndrome de Down deve ser multidisciplinar, envolvendo médicos, psicólogos, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e fisioterapeutas, além da própria família.
Em média, os especialistas prescrevem 20 horas semanais de terapia em clínica, ficando o restante do dia para atividades escolares e convívio familiar – também fundamentais para o desenvolvimento infantil.
No caso da denúncia, a maioria dos pacientes é submetida, supostamente, a 40 horas por semana – jornada extenuante, que pode comprometer o bem-estar físico e psicológico, o convívio social com outras crianças, com a família, e a educação.
A realização dos serviços incluiria também atendimentos aos sábados e feriados. Outra constatação feita pela Unimed Maceió é que o tratamento prestado não é individualizado, sendo verificadas terapias e carga horária idênticas para pacientes autistas e com Síndrome de Down.
“Por meio da denúncia, a Unimed Maceió traz à tona a preocupação com a eficácia do suposto tratamento prestado às crianças que, sem limites quantitativos ou qualitativos, em vez de contribuir para seu desenvolvimento, pode estar gerando danos significativos”, diz a nota.
Redação, com Assessoria

