75% dos brasileiros acreditam que tarifaço de Trump é decisão política, segundo Ipec

Foto: Andrew Caballero-Reynolds/AFP

Redação*

Levantamento do Ipec indica que 75% dos brasileiros consideram que o tarifaço anunciado por Donald Trump contra produtos do Brasil tem motivação principalmente política. Apenas 12% acreditam que a medida seja exclusivamente comercial. Esses índices se repetem de forma semelhante entre eleitores de Lula e de Bolsonaro.

Ao anunciar as tarifas, Trump exigiu o fim do julgamento da trama golpista na qual Jair Bolsonaro é um dos réus e fez ataques ao Supremo Tribunal Federal (STF). Atualmente, os Estados Unidos registram superávit na balança comercial com o Brasil, ou seja, vendem mais do que compram do país.

A percepção de que a decisão é política é majoritária em todos os grupos analisados, mas se destaca entre pessoas de 45 a 59 anos, com ensino superior completo, residentes em cidades maiores e nas regiões Sudeste e Nordeste.

Metade dos entrevistados afirma que a imagem que têm dos Estados Unidos não mudou após o tarifaço. Por outro lado, 38% dizem que a visão sobre o país piorou.

A população está dividida sobre uma possível reavaliação da parceria comercial entre Brasil e EUA: 46% defendem a revisão, enquanto 47% são contrários. O mesmo equilíbrio se observa quando o assunto é responder com medidas semelhantes: 49% apoiam a reciprocidade. No entanto, dentro do governo brasileiro, a avaliação é de que retaliar com novas tarifas não seria a melhor estratégia, diante do risco de Trump ampliar ainda mais as taxas sobre produtos brasileiros.

Quatro em cada dez entrevistados acreditam que o conflito comercial pode isolar o Brasil no cenário internacional. Ainda assim, quase 70% defendem que o país priorize acordos com outras nações e blocos, como China e União Europeia.

Quando questionados sobre quais atitudes tomariam caso o tarifaço prejudique a economia brasileira, 39% afirmaram que passariam a consumir mais produtos nacionais, 22% deixariam de comprar itens norte-americanos, 10% não tomariam nenhuma medida e 9% disseram que apoiariam políticos que defendem um distanciamento dos EUA e busquem novos acordos comerciais.

/com CBN 

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