Por Redação
Moradores de Coruripe relatam que a população local enfrenta dificuldades recorrentes para acessar a maternidade do Hospital Carvalho Beltrão, unidade considerada referência regional e responsável pelo atendimento de pacientes de diversos municípios do litoral sul e do agreste de Alagoas.
Segundo relatos de moradores ouvidos pela reportagem, o hospital tem priorizado pacientes de outras cidades, muitas delas ligadas politicamente à direção geral da unidade. A percepção predominante é a de que o critério de acesso ao hospital não se baseia apenas na gravidade clínica ou na proximidade geográfica, mas também em alianças políticas.
Nos últimos meses, esse cenário teria provocado uma situação considerada alarmante: o aumento do número de partos normais realizados na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Coruripe. As unidades de pronto atendimento, no entanto, não são estruturadas para funcionar como maternidades, o que expõe mães e recém-nascidos a riscos desnecessários.
“É contraditório. O hospital está dentro de Coruripe, mas as mulheres da cidade acabam parindo na UPA, enquanto pacientes de outros municípios conseguem vaga com mais facilidade”, afirma uma mãe que pediu para não ser identificada.
Moradores afirmam que a preferência por pacientes de fora estaria relacionada à atuação política do diretor-geral do hospital, que mantém alianças com gestores e grupos políticos de outros municípios atendidos pela unidade.
Para moradores, o problema ultrapassa a questão técnica e toca no sentimento de pertencimento. “O hospital deveria cuidar primeiro de quem é da cidade. Hoje, o povo de Coruripe se sente sem prestígio no próprio hospital”, resume um morador.

