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PF atende Bolsonaro e desliga central de ar-condicionado durante a noite

Pedro Ladeira/Folhapress

A PF (Polícia Federal) começou nesta semana a desligar a central de ar-condicionado que fica ao lado da cela onde está preso desde 22 de novembro do ano passado o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), em Brasília.

Com a medida, a energia é desligada todos os dias às 19h30 e religada às 7h30 do dia seguinte. Esse é um horário em que não há expediente no prédio da Superintendência da PF no Distrito Federal, apenas o plantão para ocorrências em flagrante.

A central com geradores ao lado da cela de Bolsonaro virou alvo de reclamação dele, de seus familiares e de sua equipe de defesa.

O filho Carlos Bolsonaro falou em entrevistas que havia “ruído intenso, alto e constante”, que, segundo ele, estaria causando sofrimento psicológico e impedindo o ex-presidente de dormir e se alimentar adequadamente.

No início deste mês, os advogados do ex-presidente enviaram uma petição ao STF (Supremo Tribunal Federal) dizendo que a cela não assegura “condições mínimas de tranquilidade, repouso e preservação da saúde” de Bolsonaro.

A defesa afirmou que o ruído era contínuo e ocorria ao longo das 24 horas do dia. Segundo os advogados, a situação ultrapassava o mero desconforto e configurava uma perturbação constante à saúde e à integridade do ex-presidente.

A defesa pediu que as autoridades da PF fossem oficiadas para adotar as providências técnicas necessárias para resolver a questão. Os advogados sugeriram adequação do equipamento, isolamento acústico, mudança de layout ou outra solução equivalente para o aparelho de ar-condicionado.

O ministro Alexandre de Moraes, do STF, deu cinco dias para que a Superintendência da PF fornecesse informações sobre a reclamação da defesa.

Em resposta, a PF confirmou a existência dos ruídos no sistema de climatização, mas afirmou que não seria possível “eliminar” ou “reduzir” o barulho sem a realização de obras estruturais no prédio, o que comprometeria o funcionamento da Superintendência por dias.

Investigadores ouvidos pela CNN Brasil dizem que a medida de desligar a central foi a mais célere, sem afetar o funcionamento do prédio, em meio período do dia. Esses mesmo profissionais também se queixam de ter um custodiado em um espaço que é para presos temporários, o que afetou a rotina de trabalho deles.

Bolsonaro foi condenado a 27 anos e três meses de prisão por cinco crimes e está preso desde novembro na PF. A defesa tenta uma prisão domiciliar, já negada anteriormente pelo STF.

/CNN Brasil

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