Representantes de Alagoas participaram, no dia 23 de janeiro de 2026, do Painel da União das Associações de Vítimas de Grandes Tragédias-Crime do Brasil, realizado no Memorial de Brumadinho (MG). A atividade integra a programação da Semana de Mobilização pelos 7 anos do crime da Vale, em memória das 272 vítimas do rompimento da barragem do Córrego do Feijão, ocorrido em 25 de Janeiro de 2019.
Representando o estado de Alagoas, estiveram presentes Rikartiany Cardoso e Neirevane Nunes, pelo Movimento pela Soberania Popular na Mineração em Alagoas (MAM-AL), e Cássio Araújo e Maurício Sarmento, pela Associação do Movimento Unificado das Vítimas da Braskem (MUVB). As entidades integram, desde 2024, a União das Associações de Vítimas de Grandes Tragédias-Crime no Brasil, articulação nacional formada por familiares de vítimas, atingidos e movimentos sociais de diferentes territórios marcados por crimes socioambientais e pela impunidade.
Com o tema “Memória, Justiça e caminhos para 2026”, o painel promoveu um espaço de diálogo e de articulação entre vítimas dos crimes da Vale (Brumadinho e Mariana), da Boate Kiss, do Ninho do Urubu do Flamengo e da mineração da Braskem em Maceió. As falas evidenciaram que, apesar das especificidades de cada caso, há um padrão recorrente de violações de direitos, da inércia do sistema de justiça, de reparações que não correspondem à extensão dos danos e da ausência de responsabilização criminal dos culpados dessas tragédias-crime.
A participação conjunta das associações reforçou a importância da união das vítimas como estratégia de fortalecimento da luta por justiça, ampliando a incidência política, a visibilidade nacional das denúncias e a construção coletiva de caminhos para o enfrentamento da impunidade. Essa articulação tem possibilitado avanços como a atuação coordenada junto ao sistema de justiça, a defesa da memória das vítimas e a pressão por mudanças estruturais que impeçam a repetição de tragédias-crime no país.
Durante o painel, as entidades reafirmaram o conteúdo e o sentido político da Carta à Justiça e ao Brasil, documento construído coletivamente pela União das Associações e apresentado no contexto dos 7 anos do crime da Vale. A carta denuncia a morosidade dos processos judiciais, o tratamento desigual às vítimas e cobra do Judiciário brasileiro julgamentos céleres, responsabilização criminal dos culpados e garantia de reparação integral às populações atingidas.
Confira a Carta à Justiça e ao Brasil:
/Assessoria

