Redação
A promotora de Justiça Gilcele Dâmaso de Almeida Lima, que estava à frente das investigações sobre o investimento do Instituto de Previdência de Maceió (Iprev) no Banco Master, deixou o caso na última segunda-feira (26), por motivos pessoais. Em dezembro, ela havia solicitado o arquivamento das apurações, sob a justificativa de que já existia outro registro formal tratando do mesmo assunto.
As investigações sobre o Iprev Maceió tiveram início após um pedido do ex-prefeito e vereador Rui Palmeira (PSD), que solicitou ao Ministério Público Estadual de Alagoas (MP/AL) a apuração dos aportes feitos pelo órgão em ativos classificados como de alto risco e sem cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC).
De acordo com documentos encaminhados ao MP/AL, o Iprev destinou R$ 168,5 milhões a duas aplicações consideradas arriscadas. Do total, R$ 117,9 milhões foram investidos em letras financeiras emitidas pelo Banco Master, enquanto R$ 51,48 milhões foram aplicados em cotas do NEST Eagle Fundo de Investimento Imobiliário.
Cabe lembrar que Gilcele Dâmaso é irmã de José Gilvan Ribeiro de Almeida Filho, conhecido como Júnior Dâmaso, que possui cargo comissionado como chefe de gabinete no Gabinete Civil de Maceió (GABCIVIL), órgão diretamente vinculado ao prefeito João Henrique Caldas (JHC), com salário bruto de R$ 13,6 mil.
Caso Master e Iprev Maceió
Em novembro de 2025, o Banco Master foi alvo da Operação Compliance Zero, da Polícia Federal, que revelou um esquema fraudulento de emissão de títulos de crédito falsos por instituições integrantes do Sistema Financeiro Nacional. O dono do Master, Daniel Vorcaro, foi preso e é investigado por crimes como gestão fraudulenta, organização criminosa, entre outros.
Em Maceió, a gestão do prefeito JHC aplicou R$ 117 milhões do Iprev em letras financeiras do Banco Master. À época, a operação já era considerada de alto risco, devido à instabilidade financeira da instituição. Além disso, o investimento foi feito sem a proteção do Fundo Garantidor de Crédito (FGC), que resultou na perda do dinheiro.
No Brasil, dos 18 fundos municipais e estaduais de previdência que realizaram aportes em letras financeiras do Banco Master, sete eram ou ainda são assessorados pela consultoria Crédito e Mercado, condenada neste mês por gestão temerária. A empresa é a mesma contratada para prestar consultoria ao Iprev Maceió.
Em esclarecimento, o Ministério da Previdência Social informou que estados e municípios envolvidos no esquema do Banco Master deverão utilizar recursos próprios para garantir o pagamento de aposentadorias e pensões de servidores públicos.
O prejuízo pode resultar na cobrança de taxas extras ou contribuições adicionais de servidores da ativa, aposentados ou pensionistas para compensar eventuais déficits financeiros.
Investigação e Ligação Familiar
Em outubro de 2025, a promotora de Justiça Gilcele Dâmaso foi designada para apurar a denúncia sobre investimentos milionários do Iprev no Banco Master. Ela é irmã de José Gilvan Ribeiro de Almeida Filho, conhecido como Júnior Dâmaso, que integra a folha de pagamento da Prefeitura de Maceió em cargo vinculado ao gabinete do prefeito.
Após ser derrotado nas eleições municipais de Marechal Deodoro, em 2024, Júnior Dâmaso foi nomeado, em fevereiro de 2025, para um cargo na Secretaria Municipal de Gestão de Pessoas e Patrimônio (Semge), por indicação do prefeito JHC.
No mês seguinte, em março de 2025, ele foi exonerado da função para assumir o cargo de chefe de gabinete da Coordenação Executiva de Relações Públicas e Comunicação Organizacional da prefeitura. Atualmente, ele atua como chefe de gabinete no Gabinete Civil de Maceió (GABCIVIL), órgão diretamente vinculado a JHC.

