Redação
O médico Roberto de Amorim Leite foi condenado, na última semana, por abusar sexualmente de duas pacientes durante atendimentos na UBS Felício Napoleão, no bairro Jacintinho, em Maceió. O caso foi denunciado pelo Ministério Público de Alagoas (MPAL) em novembro de 2024.
De acordo com a denúncia, os crimes aconteceram durante consultas médicas. As vítimas relataram que o médico se aproveitou da posição profissional para cometer os abusos, afirmando falsamente que estava realizando exames clínicos necessários.
Em um dos casos, a Justiça reconheceu o crime de violação sexual mediante fraude, quando o médico enganou a paciente ao dizer que precisava fazer um exame para praticar atos libidinosos. No outro, ficou configurada importunação sexual, devido a toques inadequados, comentários de cunho sexual e simulações de atos durante a consulta.
O Ministério Público destacou que os danos causados não se limitaram ao momento dos abusos. Uma das vítimas, por exemplo, deixou de frequentar a unidade de saúde por medo e trauma, interrompendo o acompanhamento médico.
Na sentença, o juiz reconheceu o forte abalo psicológico sofrido pelas mulheres e afirmou que crimes desse tipo atingem diretamente a dignidade, a autonomia e a integridade emocional das vítimas.
O médico foi condenado a seis anos de prisão, em regime inicial semiaberto. A Justiça também determinou a perda do cargo público e manteve a suspensão do exercício da função até o fim do processo.
Além disso, foi fixada indenização por danos morais às duas vítimas. O juiz destacou que “o sofrimento imposto dispensa prova material, por se tratar de dor íntima, silenciosa e persistente”. Da decisão ainda cabe recurso.

