Redação*
Daniel Vorcaro passou a considerar a sério uma delação premiada. A intenção começou a ser discutida em janeiro, mas inicialmente apenas como uma alternativa ainda distante.
Depois da segunda prisão, ganhou tração. Se o fizer, parte de sua equipe de defesa será mudada.
A ideia é que a colaboração seja feita com a PF — e não com a PGR, onde a avaliação é que haja menos espaço para que seja aceita.
Apesar de o tema da delação seguir movimentando os bastidores do caso Master, há a avaliação de que há também forte pressão política na direção contrária. A tese é que, dada a forte influência do banqueiro nas três esferas de poder, seriam muitas as forças interessadas em evitar que o banqueiro colabore com as investigações.
O vazamento de mensagens do celular de Vorcaro é um dos fatores que elevam a tensão do caso. Recentemente, a defesa do banqueiro entrou com um pedido judicial para que seja apurada a origem dos vazamentos. A petição foi divulgada pelos advogados de defesa do dono do Master. A demanda é para que seja identificados os agentes públicos que liberaram as informações, sem questionar a divulgação do caso pela imprensa.
Soma-se à pressão decorrente dos vazamentos o isolamento que Vorcaro enfrentará na prisão. A medida é parte do protocolo de encarceramento. Ele está preso no interior paulista e será transferido ainda hoje para Brasília, após uma decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, atender a um pedido da Polícia Federal.
/com O Globo e CNN Brasil

