Redação
O prefeito de Inhapi, Tenorinho Malta, deve ser investigado por órgãos de controle após a denúncia de um contrato de R$ 4.019.090,00 para manutenção da frota do município, concentrado nas mãos de uma única empresa, sem concorrência efetiva e sem detalhes do contrato no Portal da Transparência.
O levantamento foi realizado pelo Instituto Transparência Nordeste. A denúncia foi encaminhada ao Ministério Público Federal, à Controladoria-Geral da União, ao Ministério Público do Estado de Alagoas e à Polícia Federal.
Segundo o relatório, a empresa beneficiada foi a ALX Multi Serviços, pertencente ao empresário Luiz Henrique Suruagy, apontado como pessoa próxima ao prefeito. A sede da empresa, localizada em São José da Tapera, não registra movimentação.
De acordo com relatos de vizinhos, não há atividade aparente no local, nem sinais de funcionamento empresarial. O possível uso irregular de recursos do transporte escolar em Inhapi levanta suspeitas sobre a gestão de Malta.
A denúncia também aponta possíveis inconsistências em despesas relacionadas à manutenção de veículos usados no transporte escolar. Entre elas, placas que não teriam compatibilidade com ônibus ou micro-ônibus escolares e empenhos de R$ 500 mil mensais para manutenção, sem comprovação da efetiva execução dos serviços pagos.
Tenorinho Malta, que é pré-candidato a deputado estadual, é irmão do ex-prefeito de Canapi e ex-deputado estadual Celso Luiz Tenório Brandão, já investigado e condenado pela Justiça Federal por envolvimento em um esquema de desvio de recursos públicos da educação.
Celso Luiz também foi apontado pela Polícia Federal como um dos acusados de participação no esquema conhecido como Operação Taturana, que investigou um desvio de cerca de R$ 300 milhões na Assembleia Legislativa de Alagoas.
Entre os crimes atribuídos a Celso estão organização criminosa, desvio de verbas públicas federais (especialmente recursos do Fundeb/Fundef), fraude em processos de licitação, lavagem de dinheiro e uso de “laranjas” para ocultar valores desviados.
Nos bastidores, há quem diga que a candidatura de Malta à Assembleia abre caminho para que Celso Luiz volte a ter influência na Casa de Tavares Bastos, sede do Legislativo de Alagoas, sem exposição pública.
Protocolos das comunicações realizadas:
• Ministério Público Federal (MPF) – Chave de consulta: fd78a4b2faa979186a831a786f4810cc
• Controladoria-Geral da União (CGU) – Protocolo nº 00106003719202661
• Ministério Público de Alagoas (MP/AL) – Protocolo nº 11.2026.00000224-0
• Polícia Federal (PF) – Protocolo nº 2026.01.28.104828.584

