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Banco dos servidores de Maceió e do Poder Judiciário de AL deve ‘quebrar’

Foto: Kebec Nogueira/Metrópoles

Redação*
O BRB não vai divulgar seu balanço nesta terça-feira (31), como previa o prazo determinado em lei para a apresentação das demonstrações financeiras de companhias abertas. O banco, responsável pela gestão da folha de pagamento dos servidores da prefeitura de Maceió e dos depósitos judiciais do Tribunal de Justiça de Alagoas (TJAL), ainda não conseguiu resolver a dificuldade de caixa e cobrir o rombo no patrimônio que ficou evidente depois que o Master foi liquidado e foram reveladas as fraudes na venda de carteiras de crédito repassadas pelo banco de Daniel Vorcaro ao BRB, em novembro passado.

Em uma das frentes do esforço para dar sobrevida ao banco, os executivos do banco estatal têm uma reunião no Banco Central (BC) nesta terça-feira às 17h em que vão pedir à autoridade monetária prazo de pelo menos mais um mês para negociar uma última alternativa de salvamento.

Em paralelo, a governadora Celina Leão (PP) vai procurar o presidente Lula e pedir que ele autorize os bancos estatais como Caixa e Banco do Brasil a participar do socorro ao BRB. Celina assumiu o cargo na segunda-feira após a renúncia de Ibaneis Rocha (MDB) para disputar uma vaga de senador na eleição de outubro. Ela mesmo é candidata ao governo.

Como Lula deu ordem unida aos integrantes de seu governo para se manterem longe do imbróglio do BRB, só mesmo ele agora para inverter a orientação.

Combinar com os russos

Pelo que se diz nas reuniões fechadas do banco estatal, a solução a ser apresentada ao BC envolveria um empréstimo de R$ 4 bilhões do Fundo Garantidor de Crédito (FGC), mais R$ 3 bilhões obtidos com a venda de alguns dos terrenos do governo do Distrito Federal que não estejam ligados a empresas públicas ou tenham complicações burocráticas. Esses terrenos seriam assumidos por um fundo formado por investidores privados.

Falta, porém, combinar com os russos – ou seja, com o próprio FGC. Fontes da cúpula dizem que não há a menor chance de o fundo emprestar dinheiro sozinho ao banco de Brasília. O FGC só entraria em algum esforço de salvamento se fosse em um consórcio com a participação de todos os grandes bancos. Até agora, porém, não há nada de concreto sobre isso no mercado.

No governo do Distrito Federal, a esperança é de que a saída de Ibaneis Rocha do governo abra um período de mais boa vontade do governo federal e do BC com o banco.

Ibaneis, que deu uma entrevista na sexta-feira afirmando que não tinha como avaliar a compra do Banco Master porque não sabe “nem passar um Pix”, é tido como alvo certo de uma futura delação de Daniel Vorcaro. Além disso, ele era o avalista de Paulo Henrique Costa, o presidente do BRB à época da tentativa de compra do Master, no comando do banco.

Ao assumir o governo, Celina fez questão de dizer que não participou de nenhuma decisão e nem sequer foi consultada sobre a compra do Master pelo BRB. Seu primeiro desafio no cargo será desfazer o nó que o antecessor deixou. O único problema é que talvez seja tarde demais.

/com O Globo

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