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JHC se filia ao PSDB e deve se alinhar politicamente a Lira e Alfredo Gaspar

Reprodução

Por Hemilly Souza

O prefeito de Maceió, João Henrique Caldas (JHC), deixou o Partido Liberal (PL) de Jair Bolsonaro para se filiar ao Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB) de Aécio Neves. Com a filiação, ele deve se tornar vice-presidente nacional do partido e comandar o diretório alagoano da sigla.

Segundo o líder do governo na Câmara de Maceió, Kelmann Vieira (MDB), JHC deve disputar o governo de Alagoas tendo o deputado federal Alfredo Gaspar (PL) como vice-governador.

Ainda segundo Kelmann, a mãe de JHC, a senadora Eudócia Caldas, e o deputado federal Arthur Lira (PP) vão disputar vagas no Senado Federal. A primeira-dama de Maceió, Marina Candia, é cotada para a Câmara dos Deputados.

Com a intenção de compor uma chapa no estado, Marina e Eudócia também se filiaram ao PSDB junto a JHC. O partido, historicamente associado a uma agenda de centro, atualmente perdeu protagonismo eleitoral.

ACORDOS

JHC vivia um dilema sobre o futuro político, devido aos acordos com diferentes frentes. Um deles, com Lira, envolvia formar uma chapa em que o atual prefeito seria candidato ao governo de Alagoas e o ex-presidente da Câmara, um dos nomes na disputa pelo Senado.

Com Lira, a situação parece estar definida. No entanto, outro acordo, fechado com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), envolveu a indicação de sua tia, Maria Marluce Caldas Bezerra, para uma vaga no Superior Tribunal de Justiça (STJ). O acordo também previa a migração de JHC para um partido mais alinhado ao governo petista.

Além disso, outro acordo foi fechado com o vice-prefeito de Maceió, Rodrigo Cunha (Podemos), que renunciou ao cargo de senador para concorrer a vice de JHC, com o compromisso de assumir a prefeitura da capital alagoana neste ano. Na época, Cunha cedeu a vaga no Senado para a mãe do prefeito, Eudócia Caldas.

ENCENAÇÃO

Após Arthur Lira lançar sua pré-candidatura ao Senado, em março, sem a presença de JHC e de Alfredo Gaspar no evento, surgiram rumores de um rompimento político entre os aliados.

No evento, Lira falou sobre a importância de “ter palavra” e afirmou estar em um momento de “serenidade” e de articulações políticas, com alianças firmadas com Republicanos e União Brasil e um acordo “pré-desenhado” com o PL.

Em resposta, JHC disse que não compareceu ao evento por “não ter sido informado e nem ter alinhado com Lira sobre qualquer pré-candidatura”, segundo nota de sua assessoria enviada ao jornal Folha de S. Paulo.

Já a assessoria de Gaspar esclareceu ao jornal O Globo que o deputado não participou da pré-candidatura de Lira devido a compromissos em Brasília, como a elaboração do relatório final da CPMI do INSS.

A saída de JHC do PL também foi interpretada como um rompimento entre os aliados. A chegada de Gaspar ao partido, onde assumiu a presidência estadual da sigla em março, teria consolidado o esvaziamento do prefeito de Maceió dentro da legenda.

Apesar dos rumores, o líder do governo de Maceió, Kelmann Vieira, afirmou que Lira, Gaspar e JHC permanecem juntos em um acordo político que visa fortalecer a direita em Alagoas. Os parlamentares também estão unidos ao pré-candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro.

LIRA E BOLSONARO

Um acordo entre o ex-presidente Jair Bolsonaro e Arthur Lira está inviabilizando a candidatura de Alfredo Gaspar ao Senado pelo PL neste ano.

Em março, o deputado federal se filiou ao partido do ex-presidente, durante um encontro com o senador e pré-candidato à presidência Flávio Bolsonaro, na sede do PL, em Brasília.

O plano de Gaspar era concorrer ao Senado por Alagoas. No entanto, foi informado de que Bolsonaro prometeu a Lira não lançar, neste ano, nenhum candidato a senador pelo PL no estado.

O acordo entre Lira e Bolsonaro foi fechado desde as eleições municipais de 2024, visando não atrapalhar a candidatura de Lira ao Senado. Com o acerto, Gaspar pode ficar como vice de JHC no governo do estado.

POLARIZAÇÃO EM ALAGOAS

Com o cenário político pré-definido, a disputa para o governo de Alagoas será marcada por uma polarização entre chapas alinhadas aos ideais dos pré-candidatos à presidência Flávio Bolsonaro e Lula.

Liderando as pesquisas eleitorais, Renan Filho (MDB) e JHC (PSDB) são os principais nomes para disputar o governo estadual. No entanto, JHC se alinha a candidatos do campo da direita, enquanto Renan tem proximidade com o governo Lula.

Antes da filiação de JHC ao PSDB, o pai de Renan Filho e um dos líderes do MDB, o senador Renan Calheiros, chegou a convidar o prefeito de Maceió para fazer parte de seu grupo político. Na ocasião, ele também afirmou que Arthur Lira dificulta a eleição de integrantes do próprio grupo.

“Sempre costumo colocar o MDB à disposição daqueles atores cujos partidos são tomados pelo Arthur Lira. Se o prefeito da capital tiver dificuldade de arranjar um partido, ele está convidado, ele e toda a sua equipe, todos os vereadores, para integrar o MDB”, disse Renan Calheiros.

Em resposta ao convite, JHC evitou sinalizar sobre seus futuros movimentos partidários e afirmou ser conhecido pela independência política, mesmo aliado ao grupo de Lira. “As pessoas me conhecem pela minha independência. Sabem que eu cheguei aqui com as próprias pernas”, disse em entrevista à Gazeta.



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