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Mordaça: JHC processa advogada por comentar publicação do Caso Master

Redação

O ex-prefeito de Maceió, JHC, ingressou com uma queixa-crime na Justiça contra a advogada Adriana Mangabeira Wanderley por comentários publicados nas redes sociais relacionados ao caso do Banco Master.

De acordo com o processo, a ação foi protocolada com base nos crimes de calúnia e difamação. A defesa do então prefeito sustenta que a advogada teria feito acusações falsas em comentários publicados no Instagram, em 3 de abril de 2026, em uma postagem de terceiro.

Segundo a queixa, a advogada afirmou que JHC teria participação societária com o banqueiro Daniel Vorcaro em uma aeronave e que recursos de aposentados vinculados ao Iprev teriam sido utilizados nessa suposta relação. Ainda conforme o documento, também foi atribuída ao prefeito a prática de desvio de R$ 117 milhões, com a afirmação de que ele “deveria ser preso”.

A defesa de JHC afirma que as declarações são inverídicas e não apresentam qualquer comprovação ou fonte oficial. O texto também sustenta que o Instituto de Previdência dos Servidores de Maceió (Iprev) possui autonomia administrativa e que decisões de investimento não são de responsabilidade direta do chefe do Executivo.

O processo aponta ainda que os comentários teriam sido feitos em ambiente de ampla divulgação, o que, segundo a acusação, potencializa os danos à imagem do gestor. A defesa também argumenta que há reiteração de condutas semelhantes por parte da advogada, citando outras ações judiciais envolvendo as mesmas alegações.

Na ação, JHC solicita medidas cautelares, incluindo a remoção dos comentários da plataforma e a proibição de novas publicações com conteúdo semelhante, sob pena de multa diária. Também foi manifestado desinteresse na realização de audiência de conciliação.

Vale lembrar que em maio de 2025, o Tribunal de Justiça de Alagoas (TJ-AL) rejeitou parte do pedido feito pelo prefeito de Maceió, João Henrique Caldas (JHC), em ação contra a advogada Adriana Mangabeira, que o acusou publicamente de ser “cúmplice do maior crime ambiental do mundo”, em referência ao colapso causado pela mineração da Braskem na capital.

Na ocasião, a defesa de JHC havia solicitado a retirada do comentário publicado em um post da Folha de Alagoas no Instagram, a suspensão do perfil da advogada e a proibição de novas postagens e comentários com conteúdo semelhante. No entanto, a desembargadora Elisabeth Carvalho negou os dois últimos pedidos e limitou a decisão à exclusão da publicação específica.

Caso Master e Iprev Maceió

O Banco Master foi alvo, em novembro de 2025, da Operação Compliance Zero, da Polícia Federal, que revelou um esquema fraudulento de emissão de títulos de crédito falsos por instituições integrantes do Sistema Financeiro Nacional. O dono do Master, Daniel Vorcaro, foi preso e é investigado por crimes como gestão fraudulenta, organização criminosa, entre outros.

Em Maceió, a gestão de JHC aplicou R$ 117 milhões do Iprev em letras financeiras do Banco Master. À época, a operação já era considerada de alto risco, devido à instabilidade financeira da instituição. Além disso, o investimento foi feito sem a proteção do Fundo Garantidor de Crédito (FGC), que resultou na perda do dinheiro.

No Brasil, dos 18 fundos municipais de previdência que realizaram aportes em letras financeiras do Banco Master, sete eram ou ainda são assessorados pela consultoria Crédito e Mercado, condenada por gestão temerária. A empresa é a mesma contratada para prestar consultoria ao Iprev Maceió.

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