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Maceió aparece entre as piores capitais do Brasil para viver em 2026, aponta ranking

Fotos: Cristian Lourenço e Joédson Alves

Isadora Noia*

Maceió apareceu entre as capitais brasileiras com pior qualidade de vida no Índice de Progresso Social (IPS) Brasil 2026, levantamento divulgado nesta quarta-feira (20). A capital alagoana está entre os últimos colocados do ranking nacional, ao lado de cidades como Salvador, Macapá e Porto Velho.

O IPS avalia indicadores sociais e ambientais dos 5.570 municípios brasileiros e considera fatores como segurança, moradia, acesso à saúde, educação, saneamento, inclusão social e oportunidades. A pontuação varia de 0 a 100.

Segundo o levantamento, as capitais mais bem colocadas do país foram Curitiba, Brasília e São Paulo. Já Maceió aparece na parte inferior da lista, o que reforça problemas históricos enfrentados pela capital alagoana em áreas como mobilidade urbana, desigualdade social e infraestrutura.

Apesar de ser conhecida nacionalmente pelas praias e pelo potencial turístico, a cidade convive com desafios sociais que impactam diretamente a qualidade de vida da população. Dados mostram elevados índices de desigualdade social e dificuldades estruturais em diferentes regiões da cidade.

Mobilidade urbana e trânsito

Um dos principais problemas enfrentados pelos maceioenses é a mobilidade urbana. O crescimento populacional e a expansão imobiliária da cidade não foram acompanhados por melhorias proporcionais no transporte público e na rede de trânsito.

Nos horários de pico, vias importantes da capital registram congestionamentos frequentes, tanto nas regiões da parte baixa quanto da parte alta. A dependência do transporte público e a ausência de alternativas de mobilidade em larga escala são apontadas constantemente por especialistas e moradores.

Desigualdade social

Embora tenha avançado em alguns indicadores nas últimas décadas, Maceió ainda apresenta problemas relacionados à desigualdade social e vulnerabilidade urbana. O município já esteve entre as capitais com maiores índices de homicídios entre jovens e enfrenta desafios históricos ligados à pobreza e ao acesso desigual a serviços públicos.

O Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) também reflete disparidades entre bairros da capital, especialmente nas áreas periféricas, onde há maior dificuldade de acesso a saúde, educação e saneamento básico.

O impacto do caso Braskem

Outro fator que contribuiu para o agravamento da crise urbana em Maceió foi o desastre provocado pela mineração da Braskem. O afundamento do solo em bairros da capital levou ao esvaziamento de regiões inteiras, afetou milhares de moradores e modificou a dinâmica econômica e social da cidade.

Bairros tradicionais como Pinheiro, Mutange, Bebedouro e Bom Parto sofreram com rachaduras, risco de colapso estrutural e deslocamento forçado de famílias. O caso foi considerado um dos maiores desastres urbanos em área habitada no Brasil e ainda impacta diretamente a organização urbana da capital.

Mesmo sendo um dos destinos turísticos mais procurados do Nordeste, Maceió vive um contraste entre a imagem vendida ao turismo e a realidade enfrentada por parte da população.

Enquanto a orla marítima concentra investimentos e estrutura, bairros afastados convivem com problemas ligados à infraestrutura, segurança, transporte e acesso a serviços básicos.

/Estagiária sob supervisão 

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