Mais de 3.000 estudantes, da capital e do interior do estado, receberam orientações do Poder Judiciário de Alagoas sobre abuso e exploração sexual infantojuvenil. As palestras, realizadas ao longo do mês de maio, foram conduzidas por juízes, que reforçaram a importância da conscientização sobre o tema.
“Levar esse tema às escolas é urgente. Dados do 19º Anuário Brasileiro de Segurança Pública mostram que, em 2024, foram registrados 87.545 casos de estupro e estupro de vulnerável no Brasil, o maior número já registrado. 76,8% das vítimas tinham menos de 14 anos, e 65% das agressões aconteceram dentro da própria residência da vítima”, afirmou a juíza Mayara Macedo.
A magistrada palestrou, na última quarta (27), para cerca de 230 alunos, de 12 a 16 anos, no município de Cajueiro. Ela abordou as diferentes formas de violência e os sinais físicos e comportamentais que podem indicar que uma criança está sendo vítima de abuso ou outros crimes.
A juíza destacou ainda o papel das escolas no combate à violência. “A escola é, muitas vezes, o único espaço onde a criança pode aprender a reconhecer o que está acontecendo com ela e encontrar coragem para pedir ajuda”.
Organizadas pela Coordenadoria da Infância e Juventude (CEIJ) do TJAL, com apoio do Programa Cidadania e Justiça na Escola (PCJE/Esmal) e de órgãos municipais, as palestras ocorreram em quase 30 municípios. Além de estudantes, acompanharam as discussões pais, diretores, professores e profissionais que atuam na rede de proteção a crianças e adolescentes.
“É importante levar essa informação às famílias e ao corpo técnico das escolas para que estejam informados acerca dos sinais [da violência]. O desenvolvimento da criança e do adolescente depende de um ambiente saudável e adequado não apenas na sua família, mas também na própria escola e na sociedade”, reforçou o magistrado Rafael Araújo, que palestrou em São Luís do Quitunde.
Canais de denúncia
O juiz Elielson Pereira palestrou para cerca de 200 estudantes em Carneiros, na última quarta (27). O magistrado explicou sobre a rede de proteção e os canais de denúncia. “A escola deve ser um espaço vocacionado a acolher as crianças e adolescentes para encaminhá-las aos demais órgãos de proteção”, afirmou o juiz, ressaltando que as vítimas podem ainda procurar a polícia, unidades de saúde, Ministério Público, Conselho Tutelar ou ligar para o “Disque 100” ou “Disque 181”.
/Dicom TJAL

