Da Redação
Aliado do ex-prefeito de Maceió, JHC (PSDB), Ronnie Reyner Teixeira Mota presidia o Instituto de Previdência dos Servidores de Maceió (Iprev) quando foi realizado o investimento milionário no Banco Master. Antes de assumir o cargo, ele atuava no Gabinete de Gestão Integrada (GGI), responsável por gerenciar os impactos do afundamento do solo causado pela mineração de sal-gema da Braskem na capital alagoana.
Ronnie participou ativamente da campanha eleitoral de JHC em 2020, e foi nomeado para comandar o Iprev em maio de 2023. Ronnie comandava o instituto quando o Iprev fez um primeiro aporte de R$ 80 milhões em letras financeiras do Banco Master. Em maio de 2024, o comitê de investimentos, também dirigido por Ronnie, comprou mais R$ 17 milhões em papéis do banco.
Em novembro de 2025, o Banco Master foi liquidado pelo Banco Central e passou a ser investigado pela Polícia Federal por suspeitas de gestão fraudulenta. Pouco antes da liquidação, em meio ao surgimento de indícios de irregularidades, JHC exonerou Ronnie e todos os comissionados do Iprev.
Além das discussões envolvendo o Iprev, o nome de Ronnie também aparece em uma ação de prestação de contas movida pela Arquidiocese de Maceió relacionada à Fundação Recriar. Segundo informações, o caso envolve questionamentos sobre a utilização de recursos provenientes de emendas parlamentares destinadas a projetos sociais.
No início de 2025, após troca na gestão local da Igreja Católica, a arquidiocese ingressou na Justiça estadual com ação de prestação de contas contra Ronnie e o padre Walfran Fonseca, que foi tesoureiro da entidade.
As suspeitas envolvem o uso de emendas parlamentares que somam R$ 3,2 milhões, destinadas ao custeio de oficinas profissionalizantes voltadas para dependentes químicos. A maior parte do valor, R$ 1,7 milhão, foi indicada por JHC entre 2018 e 2020, período em que exercia mandato como deputado federal.
A pressão sobre Ronnie Mota se intensificou após o senador Renan Calheiros (MDB-AL), presidente da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado, direcionar parte das discussões sobre as operações do Banco Master para os investimentos realizados pelo Instituto de Previdência dos Servidores de Maceió (Iprev) durante a gestão de JHC.
Entre os nomes que devem ser chamados para prestar esclarecimentos estão o ex-presidente do Iprev, Ronnie Reyner Mota, e o secretário municipal da Fazenda, João Felipe Borges. Embora os convites não obriguem o comparecimento dos citados, Ronnie Mota continua sendo uma das figuras centrais para esclarecer as decisões tomadas pelo Iprev.

