Os deputados Dr. Wanderley, Remi Calheiros – ambos do MDB – e Ronaldo Medeiros (PT) iniciaram a coleta de assinaturas para formação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) na Assembleia Legislativa de Alagoas (ALE) para investigar o investimento de R$ 117,9 milhões do Instituto de Previdência de Maceió (Iprev) em “letras podres” do Banco Master, que entrou em liquidação e o dono, Daniel Vorcaro, está preso.
São necessárias nove assinaturas para formação da CPI e o trio diz ter a certeza de que não haverá problemas. “Já conversei com colegas da oposição, entre eles o Cabo Bebeto (PL), e todos se disseram dispostos a subscrever o pedido de abertura da comissão para apurar esse escândalo do Iprev”, disse Dr. Wanderley.
Medeiros disse acreditar que até o final da próxima semana a CPI deverá estar instalada e prevê que os trabalhos seguirão normalmente mesmo durante o recesso parlamentar em julho. “Estamos apresentando coletivamente a proposta da CPI porque queremos saber o que aconteceu com o dinheiro dos aposentados da Prefeitura de Maceió”, disse.
– Os R$ 117,9 milhões aplicados irresponsavelmente no Banco Master não voltarão e isso prejudicará os aposentados e também os servidores da ativa da Prefeitura de Maceió. Fará falta ao pagamento futuro de suas aposentadorias – arrematou Medeiros.
O pedido de formação da CPI, acrescentou Remi Calheiros, se destina à busca de “caminhos legais para apurar o escândalo da aquisição de ‘letras podres’ com dinheiro dos aposentados e para identificar e punir os responsáveis. Precisamos salvar o Iprev”.
– Queremos saber a verdade, as razões desse investimento de risco imensurável feito pelo Iprev com dinheiro dos servidores. e com conhecimento do prefeito de Maceió, em “letras podres” do Banco Master – acrescentou Remi Calheiros.
O CASO
Com a liquidação da instituição financeira, os milhões aportados pelo Iprev dificilmente serão recuperados e muito menos trarão dividendo para os aposentados do município, segundo especialistas. O capital foi aplicado durante a gestão do ex-prefeito de Maceió JHC (PSDB), que se mantém em silêncio sobre o caso.
Há denúncias de que a direção do instituto e o então prefeito teriam conhecimento dos riscos e até sido desaconselhados a fazer o investimento, mas a transação foi ainda assim executada. Senadores e outros parlamentares já denunciaram que as assinaturas do conselho do Iprev autorizando a transação teriam sido fraudadas.
Ações foram encaminhadas ao Supremo Tribunal Federal (STF) por diversos setores da sociedade solicitando que autorize a Polícia Federal investigar o caso, mas nada foi decidido.
– Esperamos bastante tempo – disse Dr. Wanderley – para que o Supremo autorizasse a Polícia Federal fazer a investigação, mas como isso não está acontecendo não podemos ficar de braços cruzados. São Paulo já está fazendo isso em relação aos municípios. Então vamos também investigar o que de fato aconteceu com o dinheiro dos aposentados do Iprev.
Ronaldo Medeiros disse acreditar que na próxima terça-feira (30) seja possível protocolar o pedido de abertura da CPI na presidência da Casa, que, seguindo os trâmites regimentais, fará a leitura do requerimento e definirá presidente e relator. Aos partidos caberá a indicação dos integrantes.

