Redação
Um relatório realizado pelo Laboratório de Aquicultura e Ecologia Aquática do Campus de Engenharias e Ciências Agrárias da Universidade Federal de Alagoas (Ufal) apontou que a água do município de Tanque d’Arca, em Alagoas, está imprópria para o consumo humano. A amostra foi coletada no dia 22 de abril e apontou a presença de coliformes totais.
Nos resultados da análise, foram detectadas a presença de coliformes totais e de Escherichia coli (E. coli) nas amostras analisadas, indicando contaminação e não conformidade com os padrões de potabilidade, o que inviabiliza seu uso para consumo humano.
De acordo com o relatório técnico, também foram encontrados na água metais potencialmente tóxicos, com altas concentrações de chumbo, cobre, ferro e alumínio. A presença desses metais representa um indicativo de contaminação antrópica, podendo estar associada a atividades agrícolas, ao descarte inadequado de resíduos sólidos, a efluentes domésticos ou a processos de lixiviação de materiais contaminados.
Outros relatórios
A Secretaria de Estado da Saúde de Alagoas (Sesau), por meio da Secretaria Executiva de Vigilância em Saúde (Sevisa), também identificou não conformidades na qualidade da água distribuída em Tanque d’Arca e recomendou uma série de providências para reduzir os riscos sanitários à população.
O relatório foi produzido após uma ação proposta pela Associação Comunitária de Tanque d’Arca, representada pelo advogado José André Barreto, e encaminhada à Agência Reguladora de Serviços Públicos do Estado de Alagoas (Arsal) e ao Ministério Público.
Segundo o documento, análises laboratoriais identificaram a presença de coliformes totais em diferentes pontos da rede de distribuição e evidências de contaminação fecal da água ou do ponto de coleta. Em outra etapa da fiscalização, novas análises mostraram a permanência de coliformes totais em três dos quatro pontos avaliados.
Além das análises laboratoriais, a equipe técnica identificou situações que podem favorecer a entrada de contaminantes no sistema de distribuição.
Resultados incompatíveis
A Associação Comunitária de Tanque d’Arca pediu o cancelamento da análise da água realizada pelo Instituto do Meio Ambiente de Alagoas (IMA), após o órgão não identificar irregularidades na qualidade do líquido. O pedido foi feito diante da divergência entre os resultados apresentados pelo instituto e pelas análises realizadas pela Secretaria de Estado da Saúde de Alagoas (Sesau), que apontaram riscos sanitários à população.
Os moradores contestam o resultado apresentado pelo IMA e solicitam que os laudos emitidos pelo órgão sejam desconsiderados, alegando falta de clareza durante o processo de análise. No requerimento, a associação também cobra que a Verde Alagoas Ambiental adote medidas operacionais para corrigir as falhas no abastecimento de água do município.
Segundo o requerimento, a coleta realizada pelo IMA ocorreu no mesmo dia da inspeção da Sesau, nos mesmos horários, nos mesmos pontos de coleta e seguindo os mesmos protocolos. Apesar disso, conforme a associação, o instituto concluiu que não havia qualquer irregularidade, classificando a água como livre de agentes contaminantes.

