O vereador David do Emprego (União Brasil) denunciou, durante pronunciamento na Câmara Municipal de Maceió, a demora na transferência de pacientes com suspeita ou diagnóstico de câncer atendidos nas Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) da capital. Segundo o parlamentar, há pessoas que permanecem por várias semanas nas unidades à espera de leitos hospitalares.
David relatou ter fiscalizado a UPA do Trapiche e afirmou que encontrou pacientes aguardando transferência havia mais de 20 dias. Conforme o vereador, uma paciente chegou a permanecer 28 dias na unidade, enquanto outros casos registrados no quadro da UPA indicavam esperas de 25 e 26 dias.
“Está entrando mais carro de funerária para recolher paciente na UPA do Trapiche do que ambulância para fazer transferência. Hoje há pacientes com 26 dias e dois pacientes com 25 dias de espera. A UPA não é hospital e não possui estrutura adequada para cuidar desses casos”, declarou.
De acordo com o parlamentar, pacientes identificados com suspeita de doença oncológica enfrentam dificuldades para conseguir atendimento em hospitais da rede. Ele citou o Hospital Geral do Estado (HGE), o Hospital da Cidade, o Hospital Metropolitano, a Santa Casa e o Hospital Universitário (HU) ao questionar o funcionamento da regulação e a disponibilidade de leitos.
Durante o discurso, David também relatou o caso de uma paciente que, após 28 dias na UPA, apresentou sucessivas pioras no quadro de saúde, passou pelas alas amarela e vermelha e sofreu uma parada cardíaca. Segundo ele, quando um leito foi disponibilizado, houve dificuldade para realizar a transferência em uma UTI móvel, e a paciente morreu.
“Como fica a família? Como fica a saúde pública de Alagoas? Esses pacientes permanecem em uma UPA recebendo atendimento paliativo, enquanto aguardam uma vaga que não chega”, questionou o vereador.
O parlamentar afirmou ainda que o cenário de sobrecarga não estaria restrito à UPA do Trapiche. No pronunciamento, citou também as unidades de Jaraguá e do Tabuleiro, onde, segundo ele, há pacientes na recepção, nas salas de medicação e nas alas amarela e vermelha.
“Se um paciente da ala amarela tiver uma intercorrência, pode não conseguir ir para a vermelha porque não há leito disponível. Enquanto os hospitais não recebem esses pacientes, as UPAs ficam sobrecarregadas e as pessoas não conseguem o atendimento de que precisam”, afirmou.
Ao concluir, David do Emprego cobrou providências da regulação e do Governo de Alagoas para garantir a transferência e o tratamento adequado dos pacientes. “Chega ambulância para deixar o paciente, mas, para retirá-lo, está chegando carro de funerária. É uma situação que precisa ser resolvida com urgência”, finalizou.
/Assessoria

