Redação
Em meio à derrocada da campanha no interior do Estado, sem apoio de prefeitos e com resultados inexpressivos em seus ataques contra os adversários, João Henrique Caldas (PSDB) escalou a batalha contra veículos de comunicação que se posicionam de forma isenta na disputa pelo governo de Alagoas.
O alvo, desta vez, foi a TV Gazeta, acusada pelo candidato de abrir mais espaço para o candidato do MDB, Renan Filho. Em ação apresentada ao Tribunal Regional Eleitoral de Alagoas (TRE-AL), JHC questionou a entrevista ao vivo de Renan, feita pela emissora na sexta-feira (4). A alegação dos advogados de JHC foi de que a Gazeta teria adotado uma “postura parcial” ao entrevistar o adversário.
No entanto, a entrevista de 30 minutos fazia parte de uma série de sabatinas com os candidatos ao governo. JHC teria o mesmo espaço concedido ao adversário na terça-feira (1º), mas, mesmo confirmando sua presença no dia anterior, faltou ao compromisso.
Na entrevista à Gazeta, Renan Filho chegou a se referir aos mais 180 processos abertos por JHC contra jornalistas e veículos de comunicação alagoanos e a apontar um “viés ditatorial” do tucano. Entre os temas que JHC tenta evitar ser citado estão o repasse de R$ 97 milhões do Iprev a Banco Master e a destinação dos recursos da Braskem, pagos à Prefeitura de Maceió a título de compensação pelos danos ambientais que provocaram a desocupação do bairro do Pinheiro.
“Ele [JHC] só fala na proteção do cercadinho que é a rede social. É como se tivesse se transformado em um avatar. Na vida real, fica em casa e só participa da vida das pessoas por meio de um Instagram. Quem quer calar a imprensa alagoana tem viés ditatorial, totalmente anacrônico, sobretudo quando se coloca geracionalmente em outro ponto”, disse Renan Filho.
Veículos aliados provocam desequilíbrio
Enquanto questiona o uso, pelo adversário, de um espaço na TV que também lhe foi oferecido, JHC mantém as rédeas curtas sobre os veículos de comunicação de sua propriedade ou de aliados. Sites e rádios do grupo de JHC são proibidos de veicular material de campanha de JHC e resumem sua “cobertura” das eleições na reprodução de conteúdo produzido pela equipe de campanha do tucano, em uma prática que busca desequilibrar o pleito eleitoral a partir do poder econômico.
Uma das peças usa o mesmo material já proibido na campanha de 2014, que tentou vincular Renan Filho a um acidente de trânsito ocorrido 20 anos atrás. Naquela disputa, a Justiça Eleitoral considerou a divulgação do material ilegal a partir de decisão da Justiça comum que isentou Renan Filho de qualquer responsabilidade sobre o acidente.
Da mesma forma, os veículos aliados de JHC reproduziram acusações feitas pelo candidato sobre supostas irregularidades na Secretaria de Estado da Saúde quando Renan Filho sequer exercia mandato de governador de Alagoas. Esses veículos de comunicação são os únicos com os quais o candidato do PSDB aceita falar, sabendo que não precisará dar explicações sobre o escândalo do Iprev e os pagamentos da Braskem.

