Redação
O ex-prefeito de Maceió, João Henrique Caldas (JHC), afirmou em guia eleitoral divulgado na última sexta-feira (4) que não sabia da aplicação milionária do Iprev Maceió no Banco Master. Contrariando a fala de JHC, os ex-gestores Rui Palmeira, Cícero Almeida e Kátia Born afirmaram que a administração municipal tem conhecimento das aplicações realizadas por suas autarquias.
Durante a gestão de JHC, entre 2023 e 2024, o Iprev Maceió aplicou R$ 117 milhões do fundo previdenciário em títulos do Banco Master. O investimento é alvo de investigação da Polícia Federal (PF), que realizou buscas na sede do instituto para apurar possíveis irregularidades na gestão e na aplicação dos recursos.
Entre os investigados estão João Felipe Alves Borges, secretário municipal da Fazenda; Ronnie Reyner Teixeira Motta, ex-presidente do Iprev; Gustavo Antônio Rodrigues, ex-coordenador de investimentos; Renan Foglia Calamia, dirigente da Crédito & Mercado; Marília Alexandre de Lima, integrante do núcleo de governança; e Marcelo Brasileiro Santos, do Comitê de Investimentos.
De acordo com Kátia, Rui e Cícero, os recursos do Iprev Maceió permaneceram totalmente aplicados no Banco do Brasil durante o período de seus mandatos, por ser, segundo eles, a instituição mais segura. Já na gestão de JHC, os valores foram aplicados no BTG Pactual e, posteriormente, transferidos para o Master.
Em 5 de maio de 2024, o então diretor do Iprev Maceió, Ronnie Mota, autorizou a transferência de R$ 100 milhões que estavam aplicados em letras financeiras do Banco BTG para o Banco Master. Além da transferência, o diretor também autorizou a aplicação de mais R$ 17 milhões na instituição financeira.
Segundo registros de e-mails divulgados à imprensa, a nota técnica que avalizou o investimento foi emitida e assinada pelo próprio Ronnie Mota. As notas técnicas que avaliam o cenário financeiro para a aplicação de recursos normalmente são realizadas por consultorias.
Além disso, à época, o Banco Master já constava na Lista Exaustiva do Ministério da Previdência Social, que reúne instituições financeiras consideradas impróprias para receber recursos de regimes de previdência social. A instituição estava na lista desde abril de 2024, antes da conclusão das negociações com o Iprev Maceió.
Para a PF, o processo de aplicação dos recursos do Iprev Maceió foi realizado sem estudos comparativos independentes e com a aceitação de propostas apresentadas pelo banco. O órgão apura investimentos de regimes de previdência de todo o país na instituição financeira.

