A sabatina de JHC (PSDB) na TV Pajuçara/Record expôs uma distância considerável entre o discurso do candidato e os dados oficiais. Das 12 afirmações factuais verificáveis selecionadas na entrevista e confrontadas com bases públicas, apenas duas estão integralmente corretas.
As outras dez apresentaram graves problemas: quatro foram classificadas como imprecisas, uma é falsa, uma é contrariada pelos dados, duas não têm comprovação pública, uma generaliza uma característica que não vale para toda a rede e uma tem núcleo verdadeiro, mas foi apresentada com recorte capaz de induzir o eleitor ao erro.
Na prática, a taxa de erros, imprecisões e declarações sem comprovação atingiu 83,3%, enquanto a acurácia plena das falas checadas foi de apenas 16,7%. Mesmo sob o critério mais generoso, ao incluir uma declaração parcialmente correta, o índice de acerto chega a no máximo 25%.
Não se trata de divergência política, mas de confronto direto com números, cadastros públicos, resultados eleitorais, estatísticas do IBGE e registros oficiais de saúde.
“Desmonte” da saúde não resiste aos dados da rede existente
Ao justificar suas propostas, JHC afirmou ter havido um “desmonte da saúde de Alagoas”. Os dados sobre estrutura física e capacidade instalada, contudo, apontam na direção oposta.
A rede estadual ganhou seis hospitais nas gestões de Renan Filho e outros dois na gestão Paulo Dantas. Dados do Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde (CNES), de junho de 2026, registram 16 hospitais estaduais, com 2.108 leitos, dos quais 2.010 são destinados ao SUS, incluindo 223 leitos de UTI SUS.
No interior, três municípios saíram do zero e passaram a contar com leitos de UTI no período: Delmiro Gouveia, União dos Palmares e Porto Calvo, todos sedes de hospitais regionais estaduais.
Existem problemas reais na saúde, sobretudo na regulação e no acesso a determinados serviços. No entanto, classificar como “desmonte” uma rede que expandiu hospitais, UPAs, leitos e UTIs não é um diagnóstico factual.
Hospital da Cidade: aprovação de 98% não foi demonstrada
JHC afirmou que o Hospital da Cidade tem 98% de aprovação entre os usuários. Não há pesquisa pública disponível que sustente esse número. O único dado localizado indica 96,75% de “experiência positiva”, índice divulgado em 2024 pelo ISAC (entidade que administrava o hospital à época), sem meios de auditoria pública. Além disso, o ISAC não responde mais pela gestão da unidade.
Para que a afirmação pudesse ser verificada, seriam necessários elementos básicos como instituto responsável, período de coleta, número de entrevistados, questionário e metodologia. Sem essas informações, é impossível tratar o percentual como dado comprovado.
Analfabetismo: comparação metodologicamente errada
O candidato afirmou que Maceió reduziu a taxa de analfabetismo de 8% para 6%. O problema é que os números utilizados não pertencem à mesma série estatística. O índice de 8,4% vem do Censo 2022, enquanto os 6,4% foram divulgados na Síntese de Indicadores Sociais de 2025, com referência em 2024. Trata-se de levantamentos distintos, com metodologias e momentos diferentes, sendo incorreto compará-los como se fossem uma linha contínua de resultado administrativo.
JHC também omitiu o dado que altera o enquadramento do tema: mesmo com 6,4%, Maceió registra a maior taxa de analfabetismo entre todas as capitais brasileiras. No Ideb 2025, a capital ficou em 82º lugar entre os 102 municípios alagoanos nos anos iniciais e em 90º lugar nos anos finais.
Ensino bilíngue não é o padrão dos Gigantinhos
O aumento de vagas na educação infantil de Maceió é um fato. No entanto, JHC afirmou que os centros Gigantinhos são, sem exceção, bilíngues e de tempo integral. A própria Secretaria Municipal de Educação informa que essas características estão presentes apenas em parte das unidades.
O mesmo equívoco ocorre na crítica ao programa Creche CRIA. JHC afirmou que o Estado prometeu colocar 40 mil crianças em creches e não cumpriu a promessa. O número de 40 mil corresponde à meta final de vagas projetadas para o programa, e não a uma obrigação com prazo já vencido.
O programa segue em execução e registrava 87 unidades entregues em junho de 2026, com aumento de 17 mil vagas crianças nos últimos cinco anos. É legítimo debater o prazo, o alcance e a qualidade da política pública, mas é incorreto converter uma meta em andamento em “promessa descumprida” sem comprovar que o prazo final foi abandonado.
Alegada despolitização da saúde não tem comprovação
Nas considerações finais, JHC declarou ter retirado os postos de saúde “das mãos dos políticos” para nomear “pessoas técnicas” na gestão. No entanto, ele entregou a Secretaria Municipal de Saúde a Lara de Tenorinho, esposa de Tenorinho Malta, ex-prefeito de Inhapi e candidato a deputado estadual pelo PSDB.
O saldo da sabatina
Das 12 afirmações factuais verificáveis de JHC selecionadas para a checagem:
* 2 estavam integralmente corretas;
* 1 tinha núcleo verdadeiro, mas recorte enganoso;
* 9 continham erros, imprecisões ou falta de comprovação pública.

