Entrevistado pela TV Pajuçara/Record na quarta-feira (9), o candidato do PSDB ao governo do Estado, João Henrique Caldas, mentiu ou foi impreciso em 83,3% das respostas dadas na sabatina. A checagem dos fatos mostrou que, confrontadas com bases de dados oficiais, das 12 afirmações factuais de JHC, 10 são classificadas como inverdades ou generalidades.
Entre essas afirmações, quatro foram classificadas como imprecisas, uma como completamente falsa, uma foi contrariada pelos dados oficiais, duas não têm comprovação pública, uma generaliza uma característica que não reflete a totalidade do cenário citado e uma apresentou recorte capaz de induzir o eleitor a erro.
A checagem utilizou cadastros públicos, resultados eleitorais, estatísticas do IBGE e registros oficiais de saúde.
Saúde
Ao justificar suas propostas, JHC sugeriu um suposto “desmonte da saúde de Alagoas”. Os dados sobre estrutura física e capacidade instalada, no entanto, apontam na direção oposta. A rede estadual ganhou seis hospitais nas gestões de Renan Filho (MDB), entre 2015 e 2022, e outros dois na gestão do atual governador, Paulo Dantas (MDB). Dados do Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde (CNES), de junho de 2026, registram 16 hospitais estaduais, com 2.108 leitos, dos quais 2.010 são destinados ao SUS, e 223 leitos de UTI SUS.
No interior, o número de leitos de UTI destinados a usuários do Sistema Único de Saúde (SUS) cresceu de 122 em 2014 para 258 em 2023, um crescimento de 111%. Delmiro Gouveia, União dos Palmares e Porto Calvo saíram de zero para 50 leitos em unidades de terapia intensiva, sendo 20 no Hospital Regional do Alto Sertão, 20 no Hospital Regional da Mata e 10 no Hospital Regional do Norte.
Fake sobre Hospital da Cidade
Durante a entrevista na TV Pajuçara, JHC sustentou que o Hospital da Cidade teria uma aprovação de 98% entre os usuários. O número, porém, não encontra respaldo em nenhuma pesquisa pública.
Em sua afirmação, o ex-prefeito omitiu elementos que poderiam comprovar a eventual veracidade do dado, como o instituto responsável pelo levantamento, período de coleta, número de entrevistados, questionário e metodologia.
Analfabetismo: comparação errada
Para forçar uma redução dos índices de analfabetismo em Maceió na entrevista da TV Pajuçara, JHC usou dados de duas séries estatísticas diferentes, de levantamentos realizados com metodologias completamente diferentes e em momentos distintos. Segundo o ex-prefeito, o índice teria caído de 8%, aferido pelo Censo de 2022, para 6%, número apontado na Síntese de Indicadores Sociais de 2025, que teve como referência o ano de 2024.
Dessa forma, não é possível estabelecer um critério técnico que permita a comparação entre as duas pesquisas. Além disso, mesmo com 6,4%, Maceió ainda tem a maior taxa de analfabetismo entre todas as capitais brasileiras. No Ideb 2025, a capital ficou em 82º lugar entre os 102 municípios alagoanos nos anos iniciais e em 90º nos anos finais.
Farsa na “despolitização” da saúde
Em suas considerações finais na sabatina, JHC afirmou ter retirado os postos de saúde “das mãos dos políticos” e colocado “pessoas técnicas” na gestão. Porém, em abril deste ano, o então prefeito nomeou Lara Jayne Malta Brandão como secretária municipal de Saúde.
Conhecida como “Lara de Tenorinho”, a secretária é esposa do ex-prefeito de Inhapi, Tenorinho Malta, e cunhada do ex-deputado Celso Luiz, presidente da Assembleia Legislativa do Estado (ALE) na época da Operação Taturana, da Polícia Federal (PF). A nomeação aconteceu em meio a um acordo político em troca de apoio à candidatura de JHC ao governo no Sertão alagoano.

