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Cada R$ 1,00 investido em saneamento pode gerar R$ 7,00 em ganhos sociais para a Região Metropolitana de Maceió

Garantir o acesso pleno aos serviços de saneamento básico é um pilar para a promoção da saúde, do desenvolvimento econômico e da preservação ambiental. A expansão dessa infraestrutura gera impactos positivos duradouros que transformam a vida da população. Nesse contexto, o Instituto Trata Brasil, em parceria com a EX ANTE Consultoria, divulga o estudo “Benefícios Econômicos da Expansão do Saneamento na Região Metropolitana de Maceió”, com o objetivo de apresentar os principais ganhos associados à universalização do acesso à água potável e à coleta e tratamento de esgoto nos 13 municípios da região.

A análise compreende uma visão do avanço do saneamento entre 2000 e 2025 e projeta os potenciais impactos no período até 2040, prazo limite para a universalização dos serviços básicos, conforme previsto no Marco Legal do Saneamento Básico. Além disso, também são analisados os efeitos de longo prazo que trarão o legado da universalização para a região.

O QUE MUDOU DO SANEAMENTO NA REGIÃO METROPOLITANA DE MACEIÓ NAS ÚLTIMAS DÉCADAS?

Segundo o Censo Demográfico, entre 2000 e 2022, cerca de 256 mil pessoas na Região Metropolitana de Maceió passaram a contar com o serviço de abastecimento de água tratada e 361 mil pessoas passaram a ter acesso à coleta de esgoto.

Entre os ganhos observados nas últimas duas décadas, a tabela abaixo estima os benefícios e os custos da expansão dos serviços de saneamento nos municípios da Região Metropolitana de Maceió no período de 2005 a 2025.

Tabela 1 – Custos e benefícios da expansão do saneamento, Região Metropolitana de Maceió, 2005 a 2025

Custos e benefícios 2005-2020 2021-2025 2005-2025 (anual) Total 2005-2025
Redução dos custos com a saúde 20.311 44.705 26.409 528.188
Aumento da produtividade do trabalho 98.462 50.546 86.483 1.729.654
Renda da valorização imobiliária 8.302 18.272 10.794 215.881
Renda do turismo 11.552 5.930 10.147 202.933
Subtotal externalidades (A) 138.626 119.452 133.833 2.676.656
Renda gerada pelo investimento 45.140 333.582 117.251 2.345.012
Renda gerada pelo aumento de operação 264.030 426.251 304.585 6.091.707
Impostos ligados à produção 18.419 34.407 22.416 448.314
Subtotal de renda (B) 327.589 794.241 444.252 8.885.033
Total de benefícios (C=A+B) 466.215 913.693 578.084 11.561.689
Custo do investimento -38.174 -282.103 -99.156 -1.983.128
Aumento de despesas das famílias -210.666 -340.100 -243.024 -4.860.486
Total de custos (D) -248.840 -622.203 -342.181 -6.843.614
Balanço (E=C+D) 217.375 291.489 235.904 4.718.075

Valores anuais em R$ milhões, valores presentes a preços de 2025. Estimativas: Ex Ante Consultoria Econômica.

Os benefícios alcançaram R$ 11,562 bilhões, sendo R$ 8,885 bilhões de benefícios diretos (renda gerada pelo investimento e pelas atividades de saneamento e impostos sobre consumo e produção recolhidos) e R$ 2,677 bilhões devido à redução de perdas associadas às externalidades. Os custos sociais incorridos no período somaram R$ 6,844 bilhões. Assim, os benefícios excederam os custos em R$ 4,718 bilhões.

Note-se que os valores médios anuais são distintos nos sub-períodos de 2005 a 2020 e de 2021 a 2025. O saldo médio anual foi de R$ 217,375 milhões no período de 2005 a 2020, passando para R$ 291,489 milhões entre 2021 e 2025. Esse aumento de 34,1% se deveu sobretudo ao forte aumento dos investimentos observado no último subperíodo em relação ao primeiro. Em termos per capita, esse ganho passou de R$ 170,22 por habitante ao ano no período de 2005 a 2020 para R$ 216,79 por habitante ao ano entre 2021 e 2025, avanço de 27,4%.

STATUS DO SANEAMENTO NA REGIÃO METROPOLITANA DE MACEIÓ EM 2024

Na Região Metropolitana de Maceió, 1,1 milhão de pessoas tinham abastecimento de água em suas residências. No caso do acesso à coleta de esgoto, havia cerca de 402,6 mil habitantes com acesso à coleta de esgoto nas residências.

Tabela 2 – População com acesso e déficit de saneamento na Região Metropolitana de Maceió, em pessoas e (%), 2024

Local População Acesso Água Acesso Esgoto Déficit Água Déficit Esgoto Déficit % Água Déficit % Esgoto
Brasil 212.583.750 174.018.231 117.280.181 38.565.519 95.303.569 18,1% 44,8%
Estado de Alagoas 3.220.104 2.272.627 630.914 947.477 2.589.190 29,4% 80,4%
Região Metropolitana de Maceió 1.347.703 1.109.329 402.599 238.374 945.104 17,7% 70,1%
Atalaia 38.530 15.857 22.673 38.530 58,8% 100,0%
Barra de Santo Antônio 16.735 15.389 836 1.346 15.899 8,0% 95,0%
Barra de São Miguel 8.118 6.572 1.108 1.546 7.010 19,0% 86,4%
Coqueiro Seco 5.700 4.184 1.516 5.700 26,6% 100,0%
Maceió 994.464 852.296 333.493 142.168 660.971 14,3% 66,5%
Marechal Deodoro 62.341 58.014 17.428 4.327 44.913 6,9% 72,0%
Messias 15.707 12.463 3.244 15.707 20,7% 100,0%
Murici 25.933 15.193 23.633 10.740 2.300 41,4% 8,9%
Paripueira 14.176 11.665 2.511 14.176 17,7% 100,0%
Pilar 36.499 33.948 7.189 2.551 29.310 7,0% 80,3%
Rio Largo 97.435 67.359 18.912 30.076 78.523 30,9% 80,6%
Santa Luzia do Norte 7.065 5.706 1.359 7.065 19,2% 100,0%
Satuba 25.000 10.683 14.317 25.000 57,3% 100,0%

Fonte: IBGE e SINISA. Elaboração: Ex Ante Consultoria Econômica.

Em relação ao tratamento do esgoto, em 2024, 81,8% da água consumida na região recebia tratamento antes de retornar ao meio ambiente, um índice bem acima da média nacional, de 45,9%. Essa realidade positiva é impulsionada, em grande parte, pelo desempenho da capital, que trata a totalidade do esgoto coletado.

Tabela 3 – Consumo de água e coleta e tratamento de esgoto, em 1.000 m³, 2024

Local Vol. água consumida (A) Coletado (B) Tratado (C) Esgoto tratado/coletado (C/B) Esgoto tratado/água consumida (C/A) Déficit coleta (1-B/A) Déficit tratamento (1-C/A)
Brasil 10.298.283 6.362.844 4.726.234 74,3% 45,9% 38,2% 54,1%
Estado de Alagoas 87.861 48.321 41.578 86,0% 47,3% 45,0% 52,7%
Região Metropolitana de Maceió 44.277 39.293 36.207 92,1% 81,8% 11,3% 18,2%
Atalaia 899 0,0% 100,0% 100,0%
Barra de Santo Antônio 924 25 14 54,5% 1,5% 97,2% 98,5%
Barra de São Miguel 821 47 47 100,0% 5,7% 94,3% 94,3%
Coqueiro Seco 149 0,0% 100,0% 100,0%
Maceió 32.913 34.864 34.864 100,0% 100,0% 0,0% 0,0%
Marechal Deodoro 3.697 800 800 100,0% 21,6% 78,4% 78,4%
Messias 397 0,0% 100,0% 100,0%
Murici 501 3.022 0,0% 0,0% 0,0% 100,0%
Paripueira 420 0,0% 100,0% 100,0%
Pilar 1.596 230 230 100,0% 14,4% 85,6% 85,6%
Rio Largo 1.542 304 251 82,8% 16,3% 80,3% 83,7%
Santa Luzia do Norte 190 0,0% 100,0% 100,0%
Satuba 228 0,0% 100,0% 100,0%

Fonte: SINISA. Elaboração: Ex Ante Consultoria Econômica.

O BALANÇO DA UNIVERSALIZAÇÃO DO SANEAMENTO

Além do balanço entre custos e benefícios durante o processo vindouro de universalização do saneamento, período em que se investirá mais para reduzir os déficits históricos de saneamento na região, sobretudo os de coleta e tratamento de esgoto, também é destacado o legado duradouro que a universalização deixará para o futuro.

Sendo assim, são analisados os ganhos esperados da expansão do saneamento na Região Metropolitana de Maceió e o legado da universalização para o futuro. A análise enfoca dois períodos:

(i) de 2025 a 2040, que é a extensão temporal para a qual é esperada a universalização do saneamento;
(ii) o período subsequente, para além de 2040, onde se realizará o legado permanente das conquistas da próxima década.

PRINCIPAIS GANHOS COM A UNIVERSALIZAÇÃO DO SANEAMENTO BÁSICO

No período de 2025 a 2040, os benefícios devem alcançar R$ 25,728 bilhões, sendo R$ 15,154 bilhões de benefícios diretos (renda gerada pelo investimento e pelas atividades de saneamento e impostos sobre consumo e produção recolhidos) e R$ 10,575 bilhões devido à redução de perdas associadas às externalidades. Os custos sociais no período devem somar R$ 9,725 bilhões aproximadamente. Assim, os benefícios devem exceder os custos em R$ 16,003 bilhões, indicando um balanço social positivo para a região.

Tabela 4 – Custos e benefícios da universalização do saneamento, Região Metropolitana de Maceió, 2025 a 2040

Custos e benefícios por ano 2025-2040
Redução dos custos com a saúde 5,197 83,150
Aumento da produtividade do trabalho 503,504 8.056,068
Renda da valorização imobiliária 68,723 1.099,566
Renda do turismo 83,505 1.336,074
Subtotal externalidades (A) 660,929 10.574,858
Renda gerada pelo investimento 252,509 4.040,140
Renda gerada pelo aumento de operação 646,787 10.348,597
Impostos ligados à produção 47,800 764,797
Subtotal de renda (B) 947,096 15.153,534
Total de benefícios (C=A+B) 1.608,025 25.728,392
Custo do investimento -213,541 -3.416,663
Aumento de despesas das famílias -394,290 -6.308,633
Total de custos (D) -607,831 -9.725,296
Balanço (E=C+D) 1.000,194 16.003,096

Em R$ milhões, valores presentes a preços de 2025. Estimativas: Ex Ante Consultoria Econômica.

REDUÇÃO DOS CUSTOS COM A SAÚDE

Entre 2025 e 2040, estima-se que haverá redução do custo com horas pagas e não trabalhadas em razão do afastamento por diarreia ou vômito e por doenças respiratórias, além da diminuição das despesas com internações por essas doenças na rede hospitalar do SUS nos municípios da região. O valor presente da economia total com a melhoria das condições de saúde da população entre 2025 e 2040 deve ser de R$ 83,150 milhões, resultando em um ganho anual de R$ 5,197 milhões.

AUMENTO DA PRODUTIVIDADE

Com base no modelo estatístico de determinantes da produtividade e da remuneração do trabalho, estima-se que haverá um forte aumento de produtividade devido à dinâmica futura do saneamento nas cidades da Região Metropolitana de Maceió. O valor presente do aumento de renda do trabalho com a expansão do saneamento entre 2025 e 2040 será de R$ 8,056 bilhões, resultando em um ganho anual de R$ 503,504 milhões.

VALORIZAÇÃO IMOBILIÁRIA

Em termos de renda imobiliária, estima-se que o ganho para os proprietários de imóveis que alugam ou que vivem em moradia própria será de R$ 68,723 milhões por ano no conjunto dos municípios da região, totalizando um ganho a valor presente de R$ 1,100 bilhão entre 2025 e 2040.

RENDA DO TURISMO

Entre 2025 e 2040, o valor presente dos ganhos com o turismo deve alcançar R$ 1,336 bilhão, indicando um fluxo médio anual de R$ 83,505 milhões no período. Esse ganho é fruto da valorização ambiental que pode ser obtida com a despoluição dos rios e córregos da região e a oferta universal de água tratada, pré-condições para o pleno exercício das atividades de turismo.

RENDA GERADA PELO INVESTIMENTO

Entre 2025 e 2040, o valor presente dos investimentos em saneamento deve alcançar R$ 3,417 bilhões nos municípios da região. Esses investimentos devem gerar R$ 4,040 bilhões em renda direta, indireta e induzida, representando um excedente aproximado de R$ 623,478 milhões ao longo do período.

PÓS 2040. O LEGADO DA UNIVERSALIZAÇÃO

A universalização do saneamento na Região Metropolitana de Maceió coloca em movimento um conjunto consistente de benefícios duradouros para a população, com impactos positivos que se estendem ao longo do tempo.

Estima-se que os ganhos de renda total serão de R$ 15,206 bilhões no período pós 2040. Os custos totais para manter a universalização serão de aproximadamente R$ 9,256 bilhões após 2040. Assim, ao balanço da universalização do saneamento até 2040 deve ser acrescido um saldo de perpetuidade no valor de R$ 18,993 bilhões, totalizando ganhos de bem-estar de R$ 34,996 bilhões a partir de 2040. Essa relação indica que para cada R$ 1,00 investido em saneamento de 2025 em diante, as 13 cidades da Região Metropolitana de Maceió devem ter ganhos sociais de R$ 7,00, um retorno bem acima do esperado para o Brasil como um todo, que é de R$ 4,10.

Tabela 5 – O legado da universalização do saneamento, Região Metropolitana de Maceió, pós-2040

Custos e benefícios por ano Perpetuidade
Redução dos custos com a saúde 5,183 88,990
Aumento da produtividade do trabalho 533,153 9.153,288
Renda da valorização imobiliária 101,401 1.740,874
Renda do turismo 120,006 2.060,295
Subtotal externalidades (A) 759,743 13.043,447
Renda gerada pelo investimento 110,640 1.899,499
Renda gerada pelo aumento de operação 730,945 12.549,030
Impostos ligados à produção 44,109 757,273
Subtotal de renda (B) 885,694 15.205,802
Total de benefícios (C=A+B) 1.645,438 28.249,249
Custo do investimento -93,566 -1.606,367
Aumento de despesas das famílias -445,593 -7.650,045
Total de custos (D) -539,159 -9.256,411
Balanço (E=C+D) 1.106,278 18.992,838

Em R$ milhões, valores presentes a preços de 2025. Estimativas: Ex Ante Consultoria Econômica.

O BALANÇO DA UNIVERSALIZAÇÃO NOS MUNICÍPIOS DA REGIÃO METROPOLITANA DE MACEIÓ

A Região Metropolitana de Maceió, localizada no estado do Alagoas, é composta por 13 municípios: Atalaia, Barra de Santo Antônio, Barra de São Miguel, Coqueiro Seco, Maceió, Marechal Deodoro, Messias, Murici, Paripueira, Pilar, Rio Largo, Santa Luzia do Norte e Satuba.

Mapa 1 – Região Metropolitana de Maceió e seus municípios, 2024

Do total dos ganhos líquidos da Região Metropolitana, 73,1% se devem a Maceió, ou seja, R$ 11,7 bilhões. Vale observar que os ganhos líquidos per capita serão maiores nos municípios de Barra de São Miguel e Paripueira, conforme indica o gráfico abaixo.

Gráfico 1 – Ganhos per capita da universalização por municípios da Região Metropolitana de Maceió, em R$ por habitante, 2025 a 2040

Valores (do maior ao menor): Barra de São Miguel (22.793,01), Paripueira (22.109,02), Santa Luzia do Norte (15.456,98), Rio Largo (13.929,85), Messias (13.549,85), Satuba (12.906,70), Atalaia (12.088,06), Coqueiro Seco (12.033,56), Média da RM (11.584,00), Maceió (11.478,03), Murici (10.735,56), Pilar (9.631,18), Barra de Santo Antônio (8.059,38), Marechal Deodoro (6.380,97).

CONCLUSÃO

Para Luana Pretto, presidente-executiva do Instituto Trata Brasil, o estudo evidencia o potencial que o acesso pleno à água potável e à coleta e tratamento de esgoto tem para impactar positivamente a Região Metropolitana de Maceió e, sobretudo, o bem-estar da população.

“Os resultados do estudo mostram que os R$ 16 bilhões em ganhos entre 2025 e 2040 representam para a Região Metropolitana de Maceió oportunidades concretas de melhoria na saúde, na produtividade do trabalho, na valorização imobiliária e no turismo, parte importante na economia da localidade. Cada real investido em saneamento pode gerar R$ 7,00 em ganhos sociais para a região, um retorno bem acima do observado para o Brasil como um todo, que é de R$ 4,10. Mais do que números, esse avanço significa mais saúde, mais dignidade e mais qualidade de vida para quem vive na região. Investir na universalização do saneamento é investir no desenvolvimento socioeconômico e no bem-estar de cada cidadão, hoje e para as próximas gerações”, avalia a executiva.

Sobre o Instituto Trata Brasil

O Instituto Trata Brasil (ITB) é uma Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (OSCIP) que surgiu em 2007 com foco nos avanços do saneamento básico e na proteção dos recursos hídricos do país. Tornou-se uma fonte de informação ao cidadão para que reivindique a universalização deste serviço mais básico e essencial para qualquer nação. O ITB produz estudos, pesquisas e projetos sociais visando conscientizar o cidadão comum do problema e, ao mesmo tempo, pressionar pela solução nos três níveis de governo. A proposta é que todos conheçam a realidade do acesso à água tratada, coleta e tratamento dos esgotos e busquem avanços mais rápidos. Para mais informações, acesse https://tratabrasil.org.br/.

IMPRENSA
Isabella Falconier, Analista de Comunicação Pleno
painelsaneamento@tratabrasil.org.br

/Assessoria

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