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IMA desmonta narrativa de JHC sobre despoluição do Salgadinho e alerta riscos

Ao tentar surfar nas ondas do projeto Renasce Salgadinho, a campanha do candidato João Henrique Caldas tomou mais um caldo ao divulgar, a partir de coleta realizada em 1º de setembro pelo Instituto do Meio Ambiente de Alagoas (IMA), que dois trechos da praia da Avenida estariam próprios para banho em função da revitalização realizada nas margens do riacho.

Em nota divulgada em seguida, o IMA, órgão responsável pelo monitoramento, esclareceu em definitivo a questão: a praia continua imprópria para banho e, em anos anteriores, os mesmos trechos analisados apresentaram ocasionalmente condições de balneabilidade, refutando assim a ideia de que o resultado favorável ocorreu em função da intervenção realizada na área durante a gestão JHC na Prefeitura de Maceió.

Num dos trechos da praia da Avenida, o instituto já havia registrado resultados classificados como próprios também antes dos resultados recentes. Em 2023, 21,6% das coletas foram consideradas próprias. Em 2024, foram 20,8%. Em 2025, embora a maioria das análises tenha permanecido imprópria, 15,2% das coletas terminaram classificadas como próprias. Em 2026, até setembro, o percentual era de 20%.

Portanto, o mar da praia da Avenida já apresentou condições próprias para banho em anos anteriores. A oscilação da balneabilidade é o verdadeiro fato, e não uma peça publicitária enganosa que começa com o Renasce Salgadinho e deságua com a suposta recuperação definitiva da praia.

Segundo o IMA, a balneabilidade mede as condições da água do mar para banho naquele ponto e naquele período. Ela não constitui, por si só, uma avaliação da despoluição da praia ou do riacho. Os relatórios são produzidos periodicamente justamente porque a condição das praias deve ser monitorada ao longo do tempo. A classificação segue critérios definidos pela Resolução CONAMA nº 274/2000 e considera uma série de
amostras, não apenas a impressão visual ou a ocorrência de uma coleta favorável.

O biólogo Paulo Lira, gerente do Laboratório do instituto, apontou fatores como as chuvas e o funcionamento do sistema que direciona as águas do Salgadinho ao emissário submarino como interferências diretas no resultado. Em períodos sem chuva, segundo o órgão, o sistema consegue direcionar uma parcela maior das águas para o emissário; quando a vazão aumenta, a água pode seguir pela foz até o mar.

Riscos à saúde

Além da interpretação divulgada pela campanha de JHC não se sustentar diante dos dados ambientais, a propagação irresponsável da informação incorre em riscos sanitários e de saúde para a população. O próprio IMA alertou: anunciar uma área como despoluída ou liberada para banho pode produzir uma falsa sensação de segurança.

Enquanto a narrativa política celebra a classificação recente do mar como evidência de despoluição, o IMA informa que análises realizadas diretamente no riacho Salgadinho, em maio e julho de 2026, encontraram Escherichia coli, coliformes termotolerantes e alterações em parâmetros como fósforo, nitrogênio, demanda bioquímica de oxigênio e oxigênio dissolvido.

Segundo o instituto, esses resultados estão em desacordo com parâmetros da Resolução CONAMA nº 357/2005 e indicam contaminação por matéria orgânica e possível lançamento de efluentes sem tratamento. A pessoa em contato com águas contaminadas pode contrair doenças gastrointestinais, infecções na mucosa e na pele, e até cólera e hepatite.

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