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Funcionários de empresa ligada à Prefeitura de Maceió são apreendidos com R$ 2 milhões em espécie

Dois funcionários da Ceilurb, empresa fornecedora da autarquia de iluminação pública de Maceió, foram detidos na tarde desta sexta-feira (18) ao sacar R$ 2 milhões em dinheiro vivo em uma agência bancária na capital alagoana. A detenção reacende as suspeitas sobre os pagamentos milionários que a Prefeitura de Maceió, por meio da autarquia ILUMINA, vem fazendo à empresa nos últimos cinco anos e meio: R$ 320,5 milhões ao todo, sendo R$ 52 milhões somente em 2026.

A reportagem apurou que os dois detidos são Maurício Leite Tenório Costa, gerente da Ceilurb (foto), e Leopoldo Del Rosário Toro Ramires Júnior, assistente da empresa. A Ceilurb, cujo nome de registro é Vasconcelos e Santos Ltda, opera o sistema de iluminação pública de Maceió desde 2022, por meio do Contrato nº 187/2022, firmado com a antiga gestão de João Henrique Caldas, JHC (PSDB). A empresa é administrada por Ladjane Correia de Vasconcelos Torres Bandeira, que figura como sócia-administradora em documentos oficiais e que já foi indiciada por peculato em Sergipe. Já a Ilumina é presidida por Gutemberg Bezerra, primo de JHC e sobrinho da ministra do Superior Tribunal de Justiça Marluce Caldas.

Nos nove dias que antecederam a detenção de hoje, a empresa recebeu R$ 8,5 milhões da Prefeitura, dos quais R$ 5 milhões foram classificados como “obras realizadas” e financiados por um contrato de crédito com a Caixa Econômica Federal; o restante correspondeu a parcelas do contrato regular e a uma parcela do TAG.

O caso ganha contornos políticos porque, três dias antes de deixar o cargo para concorrer nas eleições de 2026, a gestão do então prefeito de Maceió e hoje candidato ao Governo de Alagoas, JHC (PSDB), formalizou com a Ceilurb um Termo de Ajustamento de Gestão (TAG) no valor de R$ 212.244.144,94, reconhecendo uma dívida acumulada com a empresa relativa a reajustes contratuais atrasados. JHC renunciou ao cargo em 4 de abril, três dias depois.

O acordo garantiu à Ceilurb prioridade no recebimento de recursos da Contribuição para Custeio do Serviço de Iluminação Pública (COSIP), a taxa que os moradores de Maceió pagam na conta de energia, cuja arrecadação mais que dobrou desde 2020, saltando de R$ 98,28 milhões para uma projeção de R$ 200 milhões em 2026. Em seis anos, foi arrecadado cerca de R$ 1 bilhão em taxas de iluminação pública.

O mesmo Contrato nº 187/2022 é hoje objeto de Inquérito Civil Público (nº 06.2026.00000296-3) aberto pela 14ª Promotoria de Justiça da Capital, Fazenda Pública Municipal, do Ministério Público de Alagoas. O procedimento, convertido em inquérito por portaria de 16 de julho de 2026, apura supostas irregularidades na aplicação de recursos públicos pela ILUMINA: entre elas, possíveis pagamentos indenizatórios por serviços prestados durante período de suspensão judicial do contrato; suposto desvio de finalidade na aplicação de recursos da COSIP, que seriam destinados à iluminação e ornamentação natalina e à instalação de uma pista de patinação; e possíveis irregularidades na execução, medição e pagamento de serviços de ampliação, modernização e telegestão do parque de iluminação pública, no período entre 2022 e 2025. O procedimento teve origem em denúncia anônima enviada à Ouvidoria do MP-AL sob o pseudônimo “Göttin-Eos”.

Ceilurb

A Ceilurb também presta serviços de decoração natalina e festiva à cidade, incluindo a árvore de Natal gigante e a iluminação permanente de praças como o Parque do Centenário. A apuração identificou que o mesmo grupo empresarial protagonizou contratações semelhantes, sem concorrência ampla, em outros dois estados. Em Belém (PA), obteve, por adesão a uma ata de registro de preços, um contrato de R$ 20,2 milhões para a decoração do Círio de Nazaré e do Natal de 2025, hoje sob investigação do Tribunal de Contas dos Municípios do Pará. Em Aracaju (SE), recebeu R$ 10 milhões sem licitação da Emsurb para o “Natal Iluminado” de 2024, pagos com recursos de COSIP considerados irregulares pelo tribunal de contas local, e é alvo de uma CPI municipal ainda em andamento.

Procurada, a Prefeitura de Maceió ainda não se manifestou. A reportagem também tentou contato com a Ceilurb, sem retorno até a publicação.

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