Mais da metade da população brasileira está aflita com os avanços da inteligência artificial, enquanto 42% apostam em um impacto das tecnologias no mercado de trabalho.
De acordo com uma pesquisa realizada pelo Pew Research, 52% dos brasileiros temem o avanço da IA, enquanto 37% afirmam estar preocupados e entusiasmados ao mesmo tempo.
Das pessoas entrevistadas, 9% estão otimistas com o futuro da tecnologia.
O número de pessoas preocupadas é maior do que a média mundial feita com 36 países. A pesquisa foi realizada com 42.151 pessoas, entre 8 de fevereiro e 13 de maio de 2026.
Entre as nações pesquisadas, 37% estão aflitas em relação à IA, enquanto 41% têm sentimentos mistos em relação aos avanços e 13% dizem estar entusiasmadas.
O Brasil perde apenas para a Austrália, que possui 53% da sua população angustiada com o avanço da IA, e empata com os Estados Unidos.
Em relação ao mercado de trabalho, 42% dos brasileiros acreditam que a IA causará a perda de empregos, colocando o país em 25º lugar no ranking.
Outros 34% não têm certeza de como isso afetará os empregos, 11% acreditam que não afetará e 13% acreditam que mais empregos serão criados por conta da tecnologia.
O país que mais acredita que a IA impactará o mercado de trabalho é a Austrália, com 76% da população apostando nisso. Os Estados Unidos, considerados referência no assunto, acreditam em 71% que a tecnologia impactará negativamente os empregos no país.
Mundialmente, em média, 46% das pessoas temem a perda de emprego.
Diferentes perfis, diferentes opiniões
Entre a população brasileira, os adultos com maior preocupação em relação à tecnologia são aqueles acima de 50 anos. Cerca de 58% das pessoas nessa faixa etária temem o progresso da IA.
A porcentagem empata com as populações da Austrália e da Itália.
Apesar de serem minoria, a preocupação dos jovens adultos brasileiros tem crescido no último ano. Os brasileiros entre 18 e 34 anos aumentaram seus temores em 12% de 2025 para 2026. Se no ano passado 32% desses jovens tinham incertezas sobre a IA, hoje a porcentagem está em 44%.
Essa tendência também vale para os Estados Unidos, que subiram de 32% dos jovens adultos para 55% entre 2021 e 2026. A Suécia, por sua vez, teve um salto de 20% entre o ano passado e este.
Polônia, Japão e Austrália também entram para a lista de países que aumentaram os temores entre os jovens de 18 a 34 anos.
Essa população também é a mais consciente do que é a inteligência artificial. Cerca de 48% dos brasileiros entre 18 e 34 anos escutam e leem muito sobre IA, contra 33% da população entre 35 e 49 anos e 16% da população com mais de 50 anos.
Em 11 dos 36 países pesquisados, em sua maioria de alta renda, as mulheres são mais propensas do que os homens a afirmar que a IA levará à redução de empregos.
Por exemplo, na França, a probabilidade de as mulheres terem essa opinião é 10 pontos percentuais maior do que a dos homens.
Em muitos dos países de renda média pesquisados, pessoas com renda familiar mais alta e maior escolaridade são mais propensas a dizer que a IA levará à redução de empregos nos próximos 20 anos.
No Brasil, 24% das pessoas acreditam que o uso de IA irá aumentar a diferença entre a população rica e pobre, número abaixo da média mundial de 28%. No entanto, a maior parte, 42%, respondeu que não tem certeza dos impactos em relação a esse tópico.
/CNN Brasil

