Redação
O ex-prefeito de Maceió e candidato ao governo de Alagoas João Henrique Caldas (PSDB) ajudou a destruir milhares de famílias alagoanas e a agravar o endividamento de milhares de maceioenses com a promoção de uma empresa de apostas em eventos realizados pela Prefeitura de Maceió. Em 2024, JHC “inaugurou” a influência das bets na capital alagoana com a divulgação da marca “Vai de Bet” como patrocinadora do Massayo Verão, em janeiro, e do São João Massayo, em junho, com várias ações promocionais relacionadas.
Em outubro de 2024, depois da parceria de JHC com a “Vai de Bet”, uma pesquisa divulgada pelo instituto DataSenado, voltada especificamente para o endividamento por apostas, mostrou que cerca de 15% dos alagoanos, cerca de 382 mil pessoas, haviam gasto dinheiro com bets nos 30 dias anteriores. Dois anos depois, o efeito é devastador: em agosto deste ano, segundo a Fecomércio-AL 84,6% das famílias maceioenses estão endividadas.
O Massayo Verão e o São João Massayo custaram, juntos, R$ 50 milhões, sendo R$ 30 milhões em cachês pagos a artistas. Uma das atrações principais nos dois eventos foi o cantor Gusttavo Lima, representante da marca, que recebeu R$ 1,2 milhão apenas pela apresentação na festa junina. Durante o show, o cantor chegou a girar uma roleta da “Vai de Bet” para distribuir prêmios em dinheiro ao público. Presente, JHC também subiu ao palco e agradeceu pelo patrocínio da bet.
Além de bancar os dois eventos de JHC, a empresa recebeu o apoio do então prefeito para realizar, na capital alagoana, as ações “Vai de Graça, Vai de Bet”, relacionada ao transporte público; “Arrastão Vai de Bet”, que financiou uma apresentação do cantor Bell Marques; e a transmissão oficial do São João, com a exposição exaustiva da marca.
O valor exato repassado pela “Vai de Bet” a JHC para o São João e o Massayo Verão nunca foram divulgados pelo ex-prefeito. Apesar da cobrança por transparência, não houve publicação de contratos, chamamentos públicos ou qualquer edital no Diário Oficial de Maceió. JHC também não divulgou valores nem os termos de compensação firmados pela Prefeitura com a “Vai de Bet”.
Fundada na Paraíba, a empresa parceira de JHC nos eventos em Maceió é alvo de investigações nos estados de Pernambuco e São Paulo. A Vai de Bet é suspeita de lavagem de dinheiro, associação criminosa e repasse de comissões do contrato de patrocínio no valor de um R$ 370 milhões a uma suposta empresa laranja, que, por sua vez, teria enviado valores a uma conta ligada ao Primeiro Comando da Capital (PCC).
A empresa também foi apontada por suposta participação em um esquema de jogos ilegais e lavagem de dinheiro envolvendo plataformas de apostas e movimentações financeiras atípicas de seus proprietários e intermediários.

