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Lula aciona TSE por possível financiamento dos EUA a Flávio Bolsonaro

Jefferson Rudy/Agência Senado

A coligação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pediu ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que investigue um possível financiamento estrangeiro à campanha de Flávio Bolsonaro (PL-RJ).

Protocolada nesta quarta-feira (23), a ação aponta suspeitas de apoio de uma organização norte-americana e de articulações com autoridades dos Estados Unidos para favorecer o senador na disputa presidencial.

A ação de investigação judicial eleitoral inclui Flávio, o candidato a vice-presidente Alfredo Gaspar e Eduardo Bolsonaro.

A coligação pede a cassação dos registros da chapa ou dos diplomas, caso os candidatos sejam eleitos, além da inelegibilidade de Flávio e Eduardo por oito anos.

A petição, de 117 páginas, foi distribuída ao corregedor-geral substituto da Justiça Eleitoral, ministro Ricardo Villas Bôas Cueva. Os advogados alegam abuso dos poderes econômico e político e uso indevido dos meios de comunicação.

Possível financiamento estrangeiro

Um dos pontos centrais da ação é a atuação da Rockbridge Network, organização política norte-americana descrita na petição como cofundada pelo vice-presidente dos Estados Unidos, JD Vance, e voltada à promoção da agenda republicana.

A coligação pede esclarecimentos sobre possíveis recursos ou serviços vinculados à entidade que tenham beneficiado a campanha de Flávio. O documento menciona Pedro Sang, apontado como articulador da organização no Brasil e participante da estrutura do comitê eleitoral do senador em São Paulo.

Segundo os elementos reunidos na petição, Sang teria colaborado com a montagem do comitê, a busca de fornecedores e questões de infraestrutura. O texto reproduz uma declaração na qual ele afirma desconhecer qualquer financiamento da Rockbridge à campanha.

Os advogados argumentam que essa manifestação não esclarece quem remunera os serviços prestados. A coligação sustenta que a vedação a contribuições estrangeiras abrange dinheiro, bens e serviços com valor econômico.

A suspeita ainda depende de apuração. A ação busca identificar a origem dos recursos e a eventual relação entre a organização e as atividades eleitorais do candidato.

Articulação com autoridades dos EUA

A petição também acusa Flávio e Eduardo de manter tratativas com autoridades norte-americanas à margem dos canais diplomáticos oficiais do Brasil. Para a coligação, essas articulações teriam buscado transformar pressões econômicas e diplomáticas em vantagem eleitoral.

O documento relaciona essa acusação a medidas contra o Brasil e autoridades brasileiras, além da divulgação de ataques ao sistema de votação e ao Judiciário.

A tese apresentada pelos advogados é que os efeitos dessas iniciativas poderiam desgastar o governo Lula e favorecer a candidatura de Flávio. Trata-se da interpretação da coligação, submetida à análise da Justiça Eleitoral.

A campanha de Lula também quer apurar se houve utilização de passagens, verbas parlamentares, servidores ou estruturas de gabinete nas viagens e nos encontros descritos.

Depoimentos e dados bancários

Entre as testemunhas que a coligação pretende ouvir estão o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, o presidenciável Renan Santos e o empresário Tallis Gomes.

Renan é citado por ter afirmado que possui documentos e contatos relacionados a um suposto apoio financeiro estrangeiro. A ação pede que ele apresente esse material e esclareça as declarações.

Os advogados também solicitam informações ao Itamaraty, à Câmara, ao Senado e à Polícia Federal sobre viagens, despesas e eventuais missões oficiais. Ao PL, pedem contratos, comprovantes de pagamentos e registros de gastos com deslocamentos de Flávio e Eduardo.

A petição prevê ainda um pedido de quebra dos sigilos fiscal e bancário, condicionado ao surgimento de indícios individualizados após as diligências. A medida alcançaria os irmãos Bolsonaro e outras pessoas e empresas mencionadas, com foco em recursos vindos do exterior e transferências internacionais.

O documento apresentado contém os pedidos da coligação, sem decisão judicial sobre as acusações ou manifestação de defesa dos representados.

/Congresso em Foco

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