O candidato ao governo do Estado João Henrique Caldas (PSDB) está sendo investigado pelo Tribunal Regional Eleitoral de Alagoas (TRE-AL) por uso de caixa 2 para compra de pesquisas eleitorais fraudulentas realizadas por um instituto que pertence ao primo do candidato ao Senado Arthur Lira (PP). A denúncia foi feita pela Coligação Pra Alagoas Fazer História de Novo, encabeçada pelo MDB.
A ação aponta o uso da empresa Agora Alagoas Comunicação Ltda como operadora do caixa 2 de JHC, destinando R$ 329 mil para compra de sete pesquisas realizadas pelo Grupo de Pesquisa São Judas Tadeu Ltda, conhecido como TDL Pesquisas. O instituto pertence a Tadeu Lira, primo de Arthur Lira, e a empresa Agora Alagoas, que tem capital social de R$ 5 mil, tem como sócia a servidora da Secretaria Municipal de Gestão de Pessoas e Patrimônio de Maceió, nomeada por JHC, Eduarda Nicole Sá Calheiros.
“Esta ação trata de caixa dois de campanha. Entre abril e setembro de 2026, a Agora Alagoas pagou R$ 329.000,00 por sete pesquisas eleitorais sobre as disputas pelo Governo de Alagoas e pelo Senado. As seis já divulgadas punham o candidato João Henrique Holanda Caldas à frente; a sétima tem divulgação marcada para 30 de setembro, quatro dias antes do primeiro turno”, afirma a ação.
“Nenhum centavo passou pela conta da campanha. Nenhum lançamento aparece na prestação de contas do candidato nem na de qualquer partido da coligação que o apoia. A pagadora declarada é uma agência de notícias com capital de cinco mil reais, que se diz microempresa”, observa a denúncia.
As pesquisas foram divulgadas no mesmo dia, em espaço de tempo de 2 minutos, pela mesma rede de veículos de comunicação punida pelo TRE-AL com a suspensão da programação por publicação articulada de conteúdo favorável a JHC, configurando uso indevido dos meios de comunicação pelo candidato. O próprio JHC e seu pai, o ex-deputado João Caldas, são os donos das empresas responsáveis pela divulgação dos resultados fraudulentos.
“As pesquisas não ficaram na gaveta. Saíram no mesmo dia, com minutos de intervalo, nos perfis dos veículos da rede alinhada ao candidato. Duas delas foram impulsionadas com dinheiro pela página do portal Francês News, mantido pela Alagoas Comunicação Ltda. Essa sociedade pertence hoje ao candidato e ao pai dele. E a contratante e a rede levaram o dono do instituto de pesquisa ao estúdio da própria pagadora e às emissoras da mesma rede para anunciar a vitória do candidato no primeiro turno. O dono do instituto é primo de Arthur Lira, candidato ao Senado pela coligação ALAGOAS GIGANTE II, que as mesmas pesquisas punham à frente da disputa, e declarou no ar a sua preferência pela família”, diz a denúncia.
“A lei chama isso de captação e gasto ilícito de recursos (art. 30-A da Lei nº 9.504/1997). Quando o gasto se paga fora da conta específica e há abuso do poder econômico, a lei manda cassar o registro ou o diploma (art. 22, § 3º, da mesma lei). E o TSE já afirmou a ‘inequívoca ilicitude’ da pesquisa eleitoral paga com recurso de origem não identificada e sem registro nas contas”, afirma a ação.
A investigação contra JHC divide os investigados em dois grupos. No primeiro estão os beneficiados pelo uso de caixa 2: o candidato tucano, a vice, Célia Rocha, os candidatos ao Senado Marina Cândia (Eudócia Caldas) e Arthur Lira, além dos suplentes. O segundo grupo é composto pelas pessoas físicas que colaboraram com o crime eleitoral: Beatriz Ardison dos Santos, sócia majoritária e administradora do portal de notícias Agora Alagoas, a servidora da Prefeitura de Maceió nomeada por JHC, Eduarda Nicole Sá Calheiros, e o dono do TDL Pesquisas, Tadeu Lira.
“Os números não fecham. Em cinco meses, a Agora Alagoas pagou R$ 329.000,00 por pesquisas, mais de sessenta e cinco vezes o seu capital e cerca de 91% da receita bruta anual que o seu próprio enquadramento admite. Ou a sociedade fatura muito além do regime que declarou, ou o dinheiro veio de fora. Nas duas hipóteses, a origem precisa ser esclarecida. As duas sócias estão ligadas à Prefeitura de Maceió, que o candidato [JHC] chefiou até abril de 2026. Uma está na folha. A outra é mãe de um comissionado da mesma secretaria que foi secretário parlamentar do candidato”, aponta a denúncia.
A ação pede a condenação do grupo de beneficiários do esquema de caixa 2, todos candidatos nas eleições deste ano, com a cassação do registro ou do diploma e a inelegibilidade. As empresas e seus representantes são alvos da cobrança para apresentação de notas fiscais, contratos e documentos que esclareçam a origem do dinheiro usado na compra das pesquisas.

