O deputado federal Arthur Lira (PP), candidato ao Senado na chapa de João Henrique Caldas (PSDB), recorreu à Justiça para retirar do ar o site Folha de Alagoas após o veículo publicar conteúdo sobre o processo envolvendo acusações feitas por sua ex-esposa, Jullyene Lins.
A ação foi apresentada em segredo de Justiça e resultou em uma decisão que determinou a retirada do conteúdo e deixou o veículo fora do ar até depois da votação deste domingo (4). Segundo a decisão, o site teve apenas duas horas para cumprir a determinação. Um mandado de segurança apresentado contra a medida foi rejeitado neste sábado (3) pelo Tribunal Regional Eleitoral de Alagoas (TRE-AL).
A medida ocorre na véspera da eleição e em meio à disputa de Lira por uma das duas vagas de Alagoas no Senado.
O episódio não é isolado. Nesta semana, Lira também acionou a Justiça Eleitoral contra uma campanha do movimento “Nós, Alagoanas”, que promove ações de conscientização contra o voto em candidatos acusados de violência contra mulheres. Embora não mencionasse diretamente o deputado, a campanha acabou sendo alvo da ação.
A decisão determinou a retirada de um inflável instalado na orla de Maceió e a suspensão de inserções televisivas com as frases “Basta de agressores” e “É horrível isso”.
A denúncia
O caso envolvendo Jullyene Lins remonta a novembro de 2006, quando ela registrou um boletim de ocorrência relatando ter sido agredida pelo então marido. Segundo seu relato, as agressões teriam durado cerca de 40 minutos.
Anos depois, Jullyene afirmou publicamente que também teria sido vítima de violência sexual naquela ocasião.
O processo que chegou ao Supremo Tribunal Federal tratava da acusação de lesão corporal no contexto de violência doméstica. Em 2015, a Segunda Turma do STF absolveu Lira por falta de provas suficientes para condenação. Na ocasião, os ministros consideraram que não havia comprovação de que o deputado fosse o autor das lesões e registraram que Jullyene havia alterado sua versão durante o processo.
Posteriormente, em entrevistas, Jullyene afirmou que teria mudado o depoimento após sofrer ameaças, pressão psicológica e intimidações.
A acusação de violência sexual foi apresentada publicamente por ela posteriormente e não integrou a acusação pela qual Lira foi absolvido pelo STF em 2015.
O caso voltou ao debate público durante a campanha eleitoral de 2026, desta vez também em razão das medidas judiciais adotadas para impedir a circulação de conteúdos relacionados às acusações.
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