Pneu visivelmente liso não é o único sinal de que chegou a hora de procurar manutenção. Desgaste irregular, bolhas, cortes, perda frequente de pressão e alterações percebidas durante a condução podem indicar problemas antes que o componente fique completamente “careca”. O cuidado ganha importância diante de um dado recente da Polícia Rodoviária Federal (PRF): 140.350 autuações por condução de veículos em mau estado de conservação, comprometendo a segurança, foram registradas nas rodovias federais em 2025.
O número, divulgado pela PRF em 2026, engloba diferentes problemas de conservação e não apenas pneus. Em Alagoas, uma ocorrência registrada em abril do ano passado ajuda a ilustrar situações encontradas nas rodovias: uma carreta foi retirada de circulação na BR-316, em Santana do Ipanema, com pneus em estado crítico de desgaste, alguns com os arames expostos, além de problemas no sistema de freios.
Como único ponto de contato entre o veículo e o pavimento, os pneus interferem diretamente na aderência, estabilidade e capacidade de frenagem. Por isso, segundo Rogério Almeida, gerente comercial da Renault Du Nort, a avaliação não deve se limitar à aparência.
“O motorista não precisa esperar o pneu ficar completamente liso para perceber que existe um problema. Cortes, bolhas, desgaste maior de um lado do que do outro e perda recorrente de pressão são sinais que merecem atenção. Observar os pneus com frequência permite identificar alterações antes que elas avancem”, explica.
TWI indica limite de desgaste – Uma das formas mais simples de acompanhar as condições do pneu é observar o TWI, indicador localizado nos sulcos da banda de rodagem. A legislação brasileira estabelece como limite mínimo de profundidade dos sulcos 1,6 milímetro. Quando o desgaste alcança o indicador, o pneu chegou ao limite permitido e deve ser substituído.
A calibragem também interfere na segurança e na vida útil do componente. A pressão deve seguir a especificação indicada pelo fabricante do veículo, já que rodar com valores inadequados pode alterar o comportamento do automóvel e contribuir para desgaste irregular. A recomendação pode variar ainda de acordo com a carga transportada.
“Um erro comum é escolher uma pressão qualquer ou repetir a calibragem de outro veículo. Cada modelo possui uma especificação definida pelo fabricante. Também é importante fazer a verificação com os pneus frios e observar se algum deles está perdendo pressão com frequência, porque isso pode indicar vazamento ou outro problema”, orienta Almeida.
Desgaste irregular pode revelar outros problemas – Nem sempre a origem está no próprio pneu. Alterações no alinhamento, balanceamento ou componentes da suspensão podem provocar desgaste irregular e interferir no comportamento do carro. Vibração no volante, tendência de puxar para um dos lados e desgaste concentrado em determinadas áreas são sinais que devem ser avaliados.
Por isso, a revisão preventiva permite analisar o conjunto, verificando não apenas as condições dos pneus, mas também alinhamento, balanceamento, suspensão e outros componentes relacionados à estabilidade. Na Renault Du Nort, esse tipo de avaliação pode ser realizado durante as revisões e serviços de manutenção, seguindo as especificações de cada veículo.
“Pneu não deve ser avaliado isoladamente. Às vezes, o desgaste que aparece na borracha é consequência de uma alteração em outro componente. Uma avaliação técnica ajuda a identificar a origem e evita simplesmente trocar o pneu sem corrigir o que provocou aquele desgaste”, finaliza Rogério Almeida.
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