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Maceió bate recorde de venda de apartamentos em dez anos e movimenta R$ 3,78 bilhões; especialista analisa o que sustenta procura

Assessoria

Maceió registrou o maior volume de apartamentos vendidos desde o início da série histórica acompanhada pela Brain Inteligência Estratégica, há cerca de dez anos. Nos últimos 12 meses, 6.285 unidades foram comercializadas na capital alagoana, movimentando R$ 3,78 bilhões em Valor Geral de Vendas (VGV). No primeiro semestre de 2026, cerca de 3 mil apartamentos foram vendidos, alta de 17% na comparação com o mesmo período do ano passado.

Os lançamentos também cresceram no semestre. Foram 2.307 novas unidades entre janeiro e junho, 27% acima das 1.810 registradas no mesmo período de 2025. O comportamento, porém, varia conforme o tipo de imóvel. Studios, lofts e apartamentos de um dormitório representam 39% do estoque disponível, e apenas 19,4% das unidades colocadas nesse segmento ainda estavam à venda no período analisado pela Brain.

Leitura do mercado – Para o consultor em investimentos imobiliários e fundador da Jarvis Inteligência Imobiliária, Lauro Braga, os números precisam ser lidos também a partir de uma mudança no comportamento de parte dos compradores. O imóvel continua atendendo à necessidade de moradia, mas passou a disputar espaço na estratégia patrimonial de quem busca geração de renda e valorização no longo prazo.

“Quem compra para investir faz uma conta diferente de quem procura um imóvel para morar. Não basta perguntar quanto aquele imóvel pode valer daqui a alguns anos. É preciso saber se existe demanda para locação, qual ocupação ele consegue manter, quanto custa operar e quanto realmente sobra para o proprietário. Faturamento e rentabilidade são coisas diferentes”, explica.

Dados da própria Jarvis ajudam a identificar esse perfil entre os clientes atendidos pela empresa. Compradores de outros estados ou do exterior representam 14% da carteira. Nesse grupo, 69% adquiriram imóveis com finalidade de investimento, 50% fizeram a compra à vista e 69% já possuíam pelo menos um imóvel.

Em uma cidade com forte atividade turística, a possibilidade de locação por curta temporada também entra nessa análise. Para Lauro, usar apenas o valor da diária como referência pode levar a projeções distantes do resultado real. Taxa de ocupação ao longo do ano, sazonalidade, condomínio, administração, manutenção, impostos e períodos sem hóspedes interferem no retorno líquido.

“Uma diária alta no verão não diz quanto aquele imóvel rende no ano. O investidor precisa saber quantos dias consegue ocupar a unidade e qual é o comportamento da demanda fora da alta temporada. Às vezes, um imóvel com diária menor, mas ocupação mais constante e custo mais baixo, entrega uma rentabilidade melhor”, afirma.

Segmentos em ajuste – O avanço das vendas também ocorre em um mercado com preços elevados. Em agosto de 2026, o Índice FipeZAP apontou preço médio anunciado de R$ 9.974 por metro quadrado em Maceió, o maior entre as capitais do Nordeste. Para quem compra com objetivo de gerar renda, o valor de aquisição interfere diretamente na rentabilidade: dois imóveis com receitas semelhantes podem oferecer retornos diferentes se o capital necessário para comprá-los for muito distinto.

O alto padrão, por outro lado, apresentou redução na participação dos novos produtos. Segundo a Brain, imóveis dessa categoria responderam por 7% dos lançamentos no primeiro semestre, depois de já terem alcançado cerca de 20% em períodos anteriores. Das 354 unidades lançadas, com valores entre R$ 3 milhões e R$ 5 milhões, 124 ainda estavam disponíveis. A diferença mostra que o crescimento de 17% nas vendas totais não se distribui igualmente entre todos os segmentos.

“Um mercado vendendo mais não significa que qualquer imóvel virou um bom investimento. É preciso entender onde existe demanda, quem é o público daquele produto e qual objetivo o comprador quer alcançar. Um apartamento pode funcionar muito bem para moradia e não entregar a melhor rentabilidade. Outro pode gerar renda, mas ter uma dinâmica diferente de valorização. O investimento começa pela leitura desses fatores, e não pela expectativa de que o mercado inteiro vai subir junto”, conclui Lauro.

/Assessoria

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