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Serial killer de Maceió enfrenta décimo julgamento por duplo homicídio na Levada

Reprodução

Redação

Albino Santos de Lima, conhecido como o “serial killer de Maceió”, será submetido ao décimo julgamento pelo Tribunal do Júri nesta quinta-feira (22), às 8h, no Fórum do Barro Duro, na capital alagoana. Desta vez, ele responde pela acusação de matar Débora Vitória Silva dos Santos e John Lenno Santos Ferreira, em dezembro de 2023, no bairro da Levada.

Preso desde 2024, Albino já foi condenado nove vezes por crimes cometidos em Maceió. As penas somam 234 anos, dois meses e 13 dias de prisão. O novo júri ocorre cerca de duas semanas após a condenação do réu a mais 30 anos de reclusão pelo assassinato de Mikaele Leite da Silva, de 21 anos, no Vergel do Lago.

Segundo a denúncia do Ministério Público de Alagoas (MPAL), o duplo homicídio aconteceu em 18 de dezembro de 2023, por volta das 18h, na Rua Formosa, na Levada. A acusação afirma que Albino efetuou disparos de arma de fogo contra as duas vítimas. Os ferimentos provocados pelos tiros foram apontados como causa das mortes nos laudos cadavéricos anexados ao processo.

Na denúncia apresentada à 9ª Vara Criminal da Capital, o Ministério Público atribui ao acusado envolvimento em uma série de homicídios registrados nos últimos anos em Maceió. O documento também menciona investigações sobre as mortes de Anna Beatriz Santos Tavares, Ana Clara Santos Lima e Beatriz Henrique da Silva.

Mais de 234 anos de prisão

A condenação mais recente de Albino ocorreu em 7 de outubro de 2026, quando ele recebeu uma pena de 30 anos de prisão pelo assassinato de Mikaele Leite da Silva. A jovem foi morta a tiros em outubro de 2023, no Vergel do Lago.

Conforme a acusação, o réu teria monitorado a vítima antes do crime e armazenado informações sobre o assassinato em um arquivo digital. Durante o julgamento, a defesa alegou que problemas de saúde mental impediriam a responsabilização criminal de Albino. A tese foi rejeitada pelos jurados.

Antes disso, em maio de 2026, ele havia sido condenado a 29 anos e um dia de prisão pela morte de um jovem de 24 anos, em janeiro de 2024, no bairro da Ponta Grossa.

De acordo com o Ministério Público, o homicídio teria sido motivado por vingança, após a companheira da vítima não demonstrar interesse afetivo pelo acusado. Durante o julgamento, Albino confessou o crime, mas apresentou uma versão segundo a qual teria agido após um suposto assalto. A justificativa foi contestada pela acusação.

Relembre as condenações anteriores

A primeira condenação de Albino ocorreu em abril de 2025, quando ele recebeu 37 anos de prisão pelo assassinato do barbeiro Emerson Wagner da Silva e pela tentativa de homicídio contra outro jovem. O crime aconteceu em junho de 2024, na Ponta Grossa.

Em junho de 2025, foi condenado a 24 anos e seis meses de prisão pela morte de Louise Gbyson Vieira de Melo, mulher trans assassinada a tiros em novembro de 2023, no Vergel do Lago.

No mês seguinte, recebeu a mesma pena pelo assassinato de Ana Clara Santos Lima, de 13 anos. O crime ocorreu em 2024, também no Vergel do Lago, na presença de uma criança de três anos.

Em setembro de 2025, Albino foi condenado a 14 anos e sete meses de prisão pela tentativa de homicídio contra Alan Vitor dos Santos Soares, de 20 anos.

No mês seguinte, recebeu uma pena de 27 anos, um mês e dez dias pela morte de Tâmara Vanessa dos Santos e pelas tentativas de homicídio contra José Gustavo Carvalho e Leidjane Gomes de Freitas.

Em novembro de 2025, foi condenado a 24 anos, 11 meses e oito dias pelo assassinato de Beatriz Henrique da Silva e por lesão corporal contra o filho dela, que tinha quatro anos na época.

Já em março de 2026, Albino foi julgado pela morte de Genilda Maria da Conceição, de 71 anos. A idosa foi assassinada a tiros em fevereiro de 2019, no bairro da Chã da Jaqueira, enquanto levava o neto, de 11 anos, à escola.

Durante o julgamento, o acusado negou ter matado Genilda e afirmou que havia confessado o crime na delegacia sob pressão. Apesar da negativa, ele foi condenado a mais de 22 anos de prisão.

Com a nova sessão do Tribunal do Júri, Albino voltará a responder por crimes atribuídos a ele em uma trajetória marcada por sucessivas condenações na capital alagoana.

Investigações apontam planejamento dos crimes

Durante as investigações, a polícia encontrou arquivos digitais com fotografias, informações pessoais e registros relacionados às vítimas. Segundo o Ministério Público, o material indicaria que os assassinatos eram planejados com antecedência.

Os investigadores também identificaram anotações sobre datas e circunstâncias dos crimes. Conforme denúncia do MPAL, Albino organizava pastas com informações sobre pessoas que seriam seus alvos.

A investigação apontou ainda que o acusado demonstrava repulsa por mulheres e tentava justificar os crimes atribuindo às vítimas supostas ligações com a criminalidade.

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