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Embrapa e UFV firmam parceria em economia criativa e desenvolvimento territorial

A Embrapa Alimentos e Territórios e a Universidade Federal de Viçosa (UFV) firmaram Acordo de Cooperação Técnica para desenvolver ações conjuntas de pesquisa, desenvolvimento e inovação em economia criativa aplicada ao desenvolvimento territorial. A parceria aproxima a Embrapa da Cátedra Unesco em Economia Criativa e Políticas Públicas, sediada na universidade mineira e integrada por pesquisadores e instituições do Brasil e do exterior.

A formalização ocorreu no contexto do III International Conference of Creative Economy & Public Policies (ICCEPP), realizado entre os dias 12 e 15 de outubro, no campus da UFV, em Viçosa (MG). Durante o evento, a Embrapa Alimentos e Territórios também apresentou sua experiência de atuação em inovação social e territorial, mostrando como saberes, alimentos, culturas e recursos locais podem ser mobilizados para promover desenvolvimento sustentável e inclusivo.

Com vigência de 36 meses, o acordo prevê a integração de esforços em atividades relacionadas à valorização da agrossociobiodiversidade, dos sistemas agroalimentares diferenciados, da cultura alimentar, do turismo e da gastronomia. A cooperação também busca contribuir para o fortalecimento de políticas públicas fundamentadas em evidências.

A pesquisadora Sandra Corbari, gestora técnica do acordo pela Embrapa, destaca que a aproximação representa uma oportunidade de ampliar as relações interinstitucionais da Unidade por meio de uma rede já consolidada, que reúne pesquisadores brasileiros e estrangeiros em torno da economia criativa.

Para ela, uma das principais contribuições da Embrapa à parceria é ampliar o olhar sobre a economia criativa para os territórios rurais. “Quando a gente trabalha com economia criativa no Brasil, é sempre olhando para o ambiente urbano. O que estamos chamando a atenção é para olhar também para as comunidades rurais, para o rural como lugar das tradições, do patrimônio imaterial e da cultura alimentar, mas também como lugar da inovação”, explica.

Essa perspectiva permite reconhecer as comunidades não apenas como detentoras de conhecimentos e manifestações culturais, mas também como produtoras de soluções e inovações. Agricultura, gastronomia, turismo e artesanato aparecem, assim, como dimensões que podem ser articuladas à criatividade e aos ativos culturais e territoriais para promover desenvolvimento.

Cooperação amplia rede de pesquisa e atuação nos territórios

Sediada na UFV, a Cátedra Unesco em Economia Criativa e Políticas Públicas articula uma rede de pesquisadores e instituições dedicada à produção e disseminação de conhecimentos e à construção de parcerias relacionadas à economia criativa, às políticas públicas e ao desenvolvimento territorial sustentável.

Para o professor Magnus Luiz Emmendoerfer, diretor do Instituto de Políticas Públicas e Desenvolvimento Sustentável (IPPDS/UFV) e coordenador geral da Cátedra Unesco em Economia Criativa e Políticas Públicas, a entrada da Embrapa nessa articulação amplia a capacidade da Cátedra de conectar conhecimentos e transformá-los em benefícios para a sociedade.

“A Embrapa contribui com sua inteligência institucional, suas equipes e sua experiência nos territórios, enquanto encontra na rede possibilidades de intercâmbio e cooperação. É justamente nessa complementaridade que podemos construir respostas mais consistentes aos problemas da sociedade e estimular a participação de outras instituições públicas, brasileiras e estrangeiras”, afirma.

Segundo Emmendoerfer, a parceria também contribui para ampliar a compreensão da economia criativa como um campo plural, no qual a cultura pode dialogar com conhecimentos das ciências sociais, humanas, agrárias, biológicas e das engenharias. Essa integração abre possibilidades para inovações tecnológicas e sociais que valorizem saberes, identidades e capacidades dos territórios.

Entre os possíveis desdobramentos estão pesquisas conjuntas sobre as relações entre cultura alimentar, gastronomia, produção de alimentos e desenvolvimento sustentável; atividades de formação e intercâmbio; e projetos construídos com comunidades e atores locais. A cooperação também poderá produzir conhecimentos para subsidiar políticas públicas e fortalecer iniciativas de desenvolvimento pela criatividade.

Sandra aponta ainda a possibilidade de participação de pesquisadores ligados à Cátedra em projetos da Embrapa Alimentos e Territórios, tanto em atividades de pesquisa quanto em ações de formação e capacitação em economia criativa junto às comunidades. Da mesma forma, pesquisadores da Embrapa poderão se integrar a iniciativas desenvolvidas pela rede.

“Alguns pesquisadores e instituições da rede já trabalham com temas muito similares aos nossos, como o turismo de base comunitária. Durante o evento, já nos aproximamos de alguns deles, olhando para potencialidades relacionadas à nossa atuação no Nordeste e também em outros territórios”, afirma Sandra.

Economia criativa também está no rural

A presença da Embrapa na rede também reforça uma discussão comum às duas instituições: a necessidade de reconhecer os territórios rurais como espaços de criatividade, conhecimento e inovação.

Para Emmendoerfer, os saberes das comunidades, os modos de produzir, as tradições alimentares e a biodiversidade constituem ativos que podem gerar oportunidades e fortalecer o desenvolvimento local. Esse olhar ajuda a ampliar uma abordagem da economia criativa historicamente mais concentrada nas cidades e regiões metropolitanas.

“A criatividade está presente nas formas de cultivar, transformar alimentos, compartilhar receitas, receber visitantes e transmitir conhecimentos entre gerações. São práticas que articulam cultura, produção e identidade e que podem conectar diferentes atividades econômicas”, destaca.

Segundo o professor, a cooperação poderá favorecer projetos que aproximem realidades urbanas e rurais e contribuir para estimular empreendimentos, fortalecer negócios existentes e ampliar oportunidades de trabalho e renda no interior. Há ainda uma dimensão de reconhecimento dos conhecimentos e das identidades locais.

“Valorizar o que essas comunidades sabem e produzem fortalece o orgulho e o pertencimento aos seus territórios. A economia criativa pode integrar oportunidades econômicas, valorização cultural e sustentabilidade, com protagonismo das comunidades rurais”, completa Emmendoerfer.

Atuação da Embrapa como exemplo de economia criativa

As conexões entre a atuação da Embrapa Alimentos e Territórios e a economia criativa também foram apresentadas durante o ICCEPP pelo analista Aluísio Goulart. Na apresentação “Inovações criativas, comunidades e desenvolvimento territorial: como transformar saberes, alimentos, culturas e recursos locais em desenvolvimento sustentável e inclusivo?”, ele traçou um paralelo entre princípios da economia criativa e a forma de atuação da Unidade.

A apresentação destacou especialmente as relações entre inovação social, inovação territorial e economia criativa. Enquanto a inovação social está relacionada à construção de soluções capazes de responder às necessidades das pessoas e comunidades e promover transformações sociais, a inovação territorial mobiliza ativos culturais, ambientais, institucionais e econômicos de determinado território. A economia criativa, por sua vez, permite agregar valor a recursos como conhecimento, cultura, identidade e criatividade.

“Quando olhamos para a forma como a Embrapa Alimentos e Territórios trabalha, percebemos uma grande convergência com os princípios da economia criativa. Saberes, cultura, alimentos, biodiversidade e identidade territorial, quando articulados com pesquisa, inovação e participação das comunidades, podem gerar valor econômico e social e novas oportunidades de desenvolvimento”, destaca Aluísio.

Entre os princípios comuns apresentados estão a valorização da identidade local, a colaboração entre diferentes atores, a inclusão e a diversidade, a construção de ambientes favoráveis à inovação, a articulação com políticas públicas e a contribuição para os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da Agenda 2030.

A abordagem considera o território criativo como um ecossistema de cooperação. Comunidades locais aportam saberes e identidade; a agricultura familiar produz alimentos e contribui para a conservação das paisagens; a pesquisa sistematiza conhecimentos e desenvolve e avalia soluções; as políticas públicas ajudam a criar condições para o desenvolvimento; turismo e cultura comunicam os valores dos territórios; e os mercados podem contribuir para a geração de trabalho e renda.

Paisagens Alimentares como experiência prática

Como exemplo dessa convergência, a Embrapa apresentou durante a conferência a experiência do projeto Paisagens Alimentares, desenvolvido em comunidades de Alagoas, Pernambuco e Sergipe. A iniciativa articulou cultura alimentar, agricultura familiar, turismo de base comunitária, biodiversidade, comunicação e valorização dos patrimônios locais como estratégia de desenvolvimento territorial.

O projeto partiu do reconhecimento de que os alimentos carregam histórias, conhecimentos, práticas culturais e relações com a biodiversidade e as paisagens. A partir de diagnósticos participativos, oficinas, intercâmbios e outras ações realizadas com as comunidades, foram construídas estratégias para transformar esses ativos territoriais em oportunidades de inclusão socioprodutiva, valorização cultural, turismo sustentável e geração de renda.

A experiência também abre caminho para novos desdobramentos da cooperação. Segundo Sandra, há a perspectiva de participação de integrantes da rede da Cátedra em uma nova etapa do Paisagens Alimentares, incluindo atividades de pesquisa e capacitação em economia criativa junto às comunidades.

A parceria com a UFV amplia, assim, as possibilidades de conectar pesquisa agropecuária, conhecimentos tradicionais, cultura, criatividade e políticas públicas, fortalecendo a compreensão dos territórios rurais não apenas como espaços de produção de alimentos, mas também como ambientes de criação, inovação e geração de valor social, cultural e econômico.

/Assessoria

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