Isadora Noia*
Um movimento contrário à proposta de concessão do Centro de Abastecimento de Alagoas (Ceasa) à iniciativa privada pretende ocupar a Assembleia Legislativa de Alagoas (ALE), nesta terça-feira (3), em Maceió. A manifestação está marcada para as 16h e deve reunir permissionários, trabalhadores e representantes de movimentos sociais que são contrários à mudança na administração do equipamento público.
A mobilização é organizada pelo movimento liderado pelo professor e jornalista Alexandre Fleming e busca pressionar os deputados estaduais a se posicionarem contra a proposta. Com o lema de que o Ceasa pertence à população alagoana, os manifestantes pretendem cobrar dos parlamentares mais diálogo e garantias para os trabalhadores que atuam no local.
Em convocação divulgada nas redes sociais, Fleming afirma que a concessão pode ameaçar os pequenos comerciantes e provocar o encarecimento de alimentos comercializados no complexo, como feijão, tomate e farinha. Segundo ele, os possíveis impactos não atingiriam apenas os permissionários, mas também os consumidores alagoanos.
A mobilização acontece em meio à tramitação do Projeto de Lei nº 2.123/2026, encaminhado pelo governador Paulo Dantas (MDB), que autoriza a concessão do complexo à iniciativa privada. A proposta prevê que uma empresa vencedora de licitação assuma a operação, a manutenção, a modernização e a exploração econômica do espaço por um período inicial de 30 anos, com possibilidade de renovação por mais 30.
A proposta tem provocado resistência entre os permissionários, que temem o aumento das taxas de utilização dos espaços, dificuldades para a permanência dos pequenos comerciantes e possíveis demissões. Outra preocupação é que os custos adicionais sejam repassados aos consumidores, provocando aumento nos preços de frutas, verduras e outros produtos comercializados no Ceasa.
Desde o início das discussões, trabalhadores e comerciantes têm realizado manifestações e cobrado maior participação nas decisões sobre o futuro do complexo. A categoria também questiona a falta de diálogo durante a elaboração da proposta e pede garantias de que seus direitos e atividades comerciais serão preservados.
/Estagiária sob supervisão

