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Perpetuar ações emergenciais contra a Covid pode fazer ‘estrago muito grande’ na economia, diz secretário

24 de novembro de 2020
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O secretário do Tesouro Nacional, Bruno Funchal, avaliou nesta terça-feira (24) que tornar permanentes as ações emergenciais de combate aos efeitos da pandemia do novo coronavírus pode fazer um “estrago muito grande” na economia.

Ele deu a declaração na abertura do Encontro com as Setoriais de Contabilidade do Governo Federal, por meio de videoconferência.

“A gente observa que, historicamente, quando tem alguma crise e se faz algumas ações, e essas crises se perpetuam, ou seja, políticas que eram para ser temporárias, para lidar com um problema temporário como a gente está vendo, se tornam permanentes, o estrago que isso tende a fazer na economia é muito grande”, declarou ele.

O secretário do Tesouro Nacional defendeu o que classificou como uma “virada de página” na política de gastos públicos, retomando em 2021 a contenção de gastos e as discussões das reformas econômicas estruturais.

“Esse próximo mês vai definir muita coisa nos próximos cinco, dez anos. É muito importante que a gente discuta, tenha um bom diagnóstico e aponte a direção correta neste momento, porque isso vai influenciar não só a nossa vida, mas a vida de todos os brasileiros. Fazer a virada de página de forma correta, da melhor forma possível”, declarou.

Segundo o blog do Valdo Cruz, colunista do G1 e da GloboNews, a ala política do governo defende prorrogar auxílio emergencial, mas Bolsonaro ainda não teria decidido sobre o assunto.
Nesta segunda-feira (23) o ministro da Economia, Paulo Guedes, afirmou que, do ponto de vista do governo, não existe prorrogação do benefício.

Além das discussões sobre a prorrogação do auxílio emergencial e da criação de um novo programa social, o governo propõe reformas mais amplas nos gastos públicos, com a PEC da Emergência Fiscal.
Dívida pública

Bruno Funchal lembrou que o déficit primário (quando as despesas superam as receitas, sem contar os juros da dívida pública) estava estimado em R$ 120 bilhões para 2020, antes da pandemia. Mas que, lembrou o secretário, o valor deve bater recorde e ultrapassar os R$ 800 bilhões diante da crise sanitária.

Assim, a dívida pública, que representava 76% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro, deve atingir 96% no fim de 2020, bem acima da média dos demais emergentes.

“Não podemos ter um orçamento paralelo em 2021, a gente tem de voltar à normalidade em 2021 e essa volta é tão importante quanto a própria continuidade do processo das reformas estruturantes. A gente tem dois importantes deveres de casa. Um dever de casa é fechar esse ano, e fazer essa virada de página para o ano de 2021, voltar a ter boa gestão fiscal, boa reorganização fiscal”, acrescentou.

G1

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