Objeto da denúncia do deputado Luis Miranda (DEM-DF) e de seu irmão, áreas estratégicas do Ministério da Saúde para a compra de vacinas estão nas mãos de políticos do Centrão, principal grupo de sustentação do presidente Jair Bolsonaro no Congresso, e de militares. O bloco informal de partidos de direito e centro-direita tem, entre seus líderes, o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-PR), e o líder do governo Ricardo Barros (PP-PR), citado nominalmente por Bolsonaro, segundo Luis Miranda, como possível envolvido em irregularidades na compra da vacina indiana Covaxin.
De acordo com reportagem do jornal O Globo publicada neste domingo (27), o chefe do Departamento de Logística do Ministério da Saúde, no qual está lotado Luis Ricardo Miranda – irmão do deputado -, foi indicado por Barros e pelo deputado Pedro Lupion (DEM-PR), filho do ex-deputado Abelardo Lupion, um dos articuladores políticos de Bolsonaro. O servidor do Ministério da Saúde relatou, na CPI da Covid, que sofreu pressão para a importação em tempo recorde da Covaxin, a mais cara entre todas as contratadas pela pasta, em um contrato no valor de R$ 1,6 bilhão.
O orçamento do Departamento de Logística é bilionário, superior ao de ministérios, como o de Ciência, Tecnologia, Inovação e Comunicações, que tem R$ 12,3 bilhões para gastar este ano. Segundo O Globo, somente em compras destinadas ao combate da covid, o DLog já fechou contratos de R$ 15,7 bilhões.
O chefe do órgão é Roberto Ferreira Dias, que ocupou cargo na gestão da ex-governadora paranaense Cida Borghetti, esposa de Barros. O líder do governo nega responsabilidade na indicação de Dias, nomeado, de acordo com o deputado do Paraná, quando ele ainda não estava alinhado com Bolsonaro. A versão de Barros, conforme a reportagem de Natália Portinari e Leandro Prazeres, é contestada por outras fontes, que sustentam que ele indicou o chefe do departamento.
Fonte: Congresso em Foco














