Banner-728x90px-Alagoas-Inteligente_2
1017
29 de janeiro de 2026
Folha de Alagoas
BannerSiteContrato_SENAI_728x90px (1)
BannerSiteContrato_SENAI_728x90px (1)
  • INÍCIO
  • GERAL
  • INTERIOR
  • CULTURA
  • ECONOMIA
  • ESPORTE
  • POLÍTICA
  • REBULIÇO
  • CONTATO
Sem resultados
Exibir todos os resultados
29 de janeiro de 2026
Folha de Alagoas
Sem resultados
Exibir todos os resultados
CÂMARA 1 - 728x90 (1)
CÂMARA 2 - 728x90 (1)
Redação

Redação

Indústria em crise? Vítimas silenciadas: o caso Braskem e o crime socioambiental em Maceió

26 de março de 2025
0
Indústria em crise? Vítimas silenciadas: o caso Braskem e o crime socioambiental em Maceió

Foto: Agência Brasil/UFAL

Compartilhe no FacebookCompartilhe no TwitterCompartilhe no Whatsapp

Por Mauricio Sarmento – Membro da Diretoria do MUVB (Movimento Unificado das Vítimas da Braskem)

A Braskem encerrou o ano de 2024 alegando enfrentar uma crise financeira profunda: prejuízos bilionários,
endividamento crescente e um coro de apelos por incentivos estatais. Enquanto isso, em Maceió, dezenas de milhares de pessoas seguem vivendo o luto e o abandono provocados por um crime socioambiental de proporções inéditas. O colapso geológico causado pela exploração predatória de sal-gema destruiu cinco bairros inteiros e deslocou mais de 60 mil pessoas diretamente afetadas.

Também fazem parte desse contingente comunidades como Flexais, Quebradas, Marquês de Abrantes e Bom Parto, que, embora ainda não reconhecidas oficialmente como áreas atingidas, enfrentam os mesmos problemas estruturais já diagnosticados nas regiões evacuadas. Essas populações vivem sob grave isolamento social e econômico, e lutam com urgência pela realocação e pelo reconhecimento de seus direitos enquanto vítimas do desastre.

Além disso, mais de 140 mil pessoas que vivem nas áreas do entorno — a chamada “borda do mapa” — também
sofrem com os efeitos indiretos e contínuos desse desastre tecnológico criminoso. A correlação entre a alegada crise da indústria petroquímica e a tragédia humana em Maceió escancara a falência de um modelo produtivo que prospera às custas do sofrimento coletivo da maioria e da concentração de lucros nas mãos de poucos acionistas.

A trajetória da Braskem foi marcada por lucros expressivos desde sua fundação. A empresa se beneficiou de políticas de incentivos fiscais, monopólios de mercado e amplo apoio institucional. No entanto, todo esse crescimento se sustentou em um modelo que privatiza os lucros e socializa os prejuízos. O caso de Maceió é a expressão mais cruel dessa lógica: uma empresa que lucrou bilhões com a extração de sal-gema, mas que não assumiu integralmente os custos humanos, sociais e ambientais do desastre que causou.

O contraste é gritante. A mesma Braskem que hoje clama por ajuda pública e proteção de seus interesses continua sem garantir reparação integral às vítimas. Impôs um programa de compensação marcado pela coação econômica, social e psicológica, desconsiderando a complexidade da perda coletiva e territorial. A reparação tem ocorrido por meio de processos unilaterais, sem participação efetiva das comunidades atingidas, sem transparência e sem compromisso com a justiça.

Acredito, como sindicalista que sempre pautou sua atuação pela via do diálogo e da negociação, que a solução para as vítimas também deve passar por esse caminho. Contudo, é fundamental que a negociação se dê com quem realmente detém o poder de decisão dentro da empresa — e, principalmente, que haja uma negociação direta com as vítimas. São elas que conhecem a extensão dos danos, os impactos cotidianos e as necessidades urgentes. Negociar, sim — mas com as pessoas atingidas no centro do processo, com respeito à sua autonomia, escuta ativa e compromisso genuíno com a reparação integral.

A indústria petroquímica é estratégica para o desenvolvimento do Brasil. Mas estratégia não pode ser confundida com conivência. A Braskem não pode ser o símbolo da reindustrialização que o país necessita. Precisamos de um novo pacto industrial, fundado na responsabilidade socioambiental, na preservação dos territórios e na centralidade da vida. Não é aceitável que um setor que se diz voltado para o futuro se apoie em práticas que destroem cidades inteiras e deixam rastros de dor.

O modelo atual revela sua falência quando precisa da destruição social para crescer e de apoio estatal para sobreviver. Uma indústria que não é capaz de garantir reparação integral, que enfraquece a democracia ao perseguir judicialmente suas vítimas e que busca blindagem diante de seus crimes não pode continuar operando sob as mesmas regras.

Não há futuro possível para a indústria sem justiça para o passado. Reindustrializar o Brasil exige uma transição justa— com reparação plena às vítimas, responsabilização das empresas e políticas públicas que coloquem a vida  e o território no centro das decisões. A reconstrução do país começa com o reconhecimento e a reparação plena dos seus escombros.

Você também pode gostar desses conteúdos

PF faz operação e mira shows milionários
Geral

PF faz operação e mira shows milionários

por Redação
29 de janeiro de 2026
Sisu 2026: candidatos já podem conferir resultado individual
Geral

Sisu 2026: candidatos já podem conferir resultado individual

por Redação
29 de janeiro de 2026
JHC gasta mais de R$ 30 milhões na orla, mas erosão segue avançando
Geral

JHC gasta mais de R$ 30 milhões na orla, mas erosão segue avançando

por Redação
28 de janeiro de 2026
Presidente Fábio Bittencourt empossa nova diretora de Comunicação do TJAL
Geral

Presidente Fábio Bittencourt empossa nova diretora de Comunicação do TJAL

por Redação
28 de janeiro de 2026
Cota única do IPTU 2026 com 20% de desconto vai até esta sexta-feira (30)
Geral

Cota única do IPTU 2026 com 20% de desconto vai até esta sexta-feira (30)

por Redação
28 de janeiro de 2026

Deixe um comentário Cancelar resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

banner-site
banner-site
Próximo Post
Presidente convoca Japão para investir no Brasil e critica protecionismo

Presidente convoca Japão para investir no Brasil e critica protecionismo

Católicos de Paripueira discordam de evento com a participação de políticos

Católicos de Paripueira discordam de evento com a participação de políticos

7 de agosto de 2025
Vereador acusa Henrique Chicão de usar hospital para se eleger deputado

Vereador acusa Henrique Chicão de usar hospital para se eleger deputado

7 de agosto de 2025

ÚLTIMAS NOTÍCIAS

Saúde

Sindicato denuncia atraso no pagamento de médicos da Uncisal

29 de janeiro de 2026
Política

Alagoano lança pré-candidatura para presidente com apoio de João Caldas

29 de janeiro de 2026
Política

Em Caxias do Sul (RS), Renan Filho acompanha a produção de vagões para o VLT de Arapiraca

29 de janeiro de 2026

REDAÇÃO

(82) 98898-7444

folhadealagoas@gmail.com

ARQUIVOS

Disponível no Google Play

© 2021 | Folha de Alagoas.

Sem resultados
Exibir todos os resultados
  • INÍCIO
  • GERAL
  • INTERIOR
  • CULTURA
  • ECONOMIA
  • ESPORTE
  • POLÍTICA
  • REBULIÇO
  • CONTATO

© 2021 | Folha de Alagoas.

Utilizamos cookies essenciais e outras tecnologias semelhantes, ao continuar navegando, você concorda essas e outras condições de nossa Política de Privacidade e Cookies.