O Réveillon de Paripueira teve repercussão internacional após a adoção, pelo segundo ano consecutivo, de fogos de artifício com redução de ruído na virada do ano. A iniciativa foi destacada pelo site italiano La Voce di Cesenatico, que citou a experiência brasileira como referência de celebração sem impacto sonoro excessivo.
Na matéria publicada na Itália, os fogos com redução de ruído são descritos como uma “lição de civilidade”, ao permitir a comemoração do Ano Novo sem prejuízos a crianças, idosos, pessoas com sensibilidade auditiva e animais. O texto destaca que o espetáculo visual foi mantido, com emissão sonora significativamente menor em relação aos fogos tradicionais.
Em Paripueira, a medida fez parte da organização oficial do evento por decisão da gestão municipal, que definiu o uso de fogos com redução de ruído como diretriz do Réveillon. A queima de fogos integrou a programação da festa, que contou com shows de Michael Brocador e Pagode do Rafinha, reunindo grande público na orla e mantendo o espaço movimentado até o sol nascer.
O prefeito Abrahão Moura afirmou que a escolha segue uma linha clara de cuidado com a população. “Esse é o segundo ano em que Paripueira adota fogos com redução de ruído por decisão da gestão. A ideia é permitir que as pessoas participem da virada sem medo e sem desconforto. A festa acontece, mas com responsabilidade”, disse.
A experiência do município está alinhada à legislação estadual sobre o tema. A lei nº 9.146/2024, relatada pela deputada Cibele Moura, proíbe a queima, a comercialização e o transporte de fogos de artifício com estampido em todo o Estado de Alagoas. A norma entra em vigor no dia 15 de janeiro de 2026 e tem como objetivo reduzir impactos à saúde e proteger pessoas com hipersensibilidade auditiva, além dos animais
Ao comentar a adoção antecipada da medida por Paripueira, a deputada destacou o papel das administrações municipais. “Quando uma cidade toma essa decisão antes mesmo da vigência da lei, ela demonstra atenção real às pessoas. Paripueira mostrou que é possível realizar um grande evento sem causar sofrimento”, afirmou Cibele Moura.
A mudança foi percebida por quem participou da festa. A bombeira civil Ingrid Roberta, mãe de Yan, de 4 anos, saiu de Maceió para passar o Réveillon em Paripueira. “Meu filho tem medo do barulho dos fogos. Em outros lugares, a gente nunca consegue ficar até a virada. Aqui ele conseguiu assistir, ficou tranquilo e aproveitou”, relatou.
O estoquista Felipe Gabriel, de Arapiraca, que está passando o feriadão em Paripueira, destacou o impacto da decisão para quem viaja com animais. “Tenho dois cachorros e sempre sofrem muito nessa época. Saber que os fogos seriam com redução de ruído me deixou tranquilo para passar a virada aqui”, contou.
A repercussão internacional amplia o alcance de uma decisão tomada no planejamento local e coloca Paripueira no debate sobre eventos públicos que consideram diferentes realidades da população.
/Ascom














