G1
O advogado Walfrido Warde deixou nesta quarta-feira (21) a equipe de defesa de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. A informação foi confirmada pelo advogado ao G1.
A saída ocorre em meio a avaliações de bastidore de que, diante do agravamento da situação de Vorcaro, ele pode aderir a uma colaboração premiada. O advogado é contra a estratégia.
A decisão de Warde mostra que a delação de Vorcaro está na mesa. Isso mexe com as placas tectônicas da política brasileira e deixa muita gente preocupada.
Numa delação, o investigado conta o que sabe para ajudar nas apurações. Em troca, pode receber benefícios como redução de pena em caso de condenação.
Em nota enviada ao blog, a defesa de Vorcaro diz que “nega com veemência a existência de qualquer proposta ou negociação de delação premiada”.
Os advogados do banqueiro afirmam ainda que “Vorcaro reafirma sua inocência, segue exercendo plenamente seu direito de defesa, colaborando com as autoridades dentro dos limites legais e confia no esclarecimento dos fatos por meio dos instrumentos regulares do devido processo legal”.
Investigações avançam sobre familiares de Vorcaro
Na última semana, quando foi alvo de mais uma operação da Polícia Federal, Vorcaro disse ter “interesse no esclarecimento completo dos fatos e no encerramento célere do inquérito”.
O caso do Banco Master virou o centro de um escândalo financeiro nacional. Na nova fase das investigações, a PF fez buscas em endereços da família de Daniel Vorcaro. E apreenderam o celular do empresário Nelson Tanure.
Carros importados, relógios e dinheiro vivo foram apreendidos na quarta-feira (14). Cerca de R$ 100 mil estavam na casa onde o banqueiro cumpre prisão domiciliar. Em novembro, ele foi preso na primeira etapa da operação no aeroporto de Guarulhos, quando embarcava num jatinho para sair do país. Depois de 12 dias, ele foi solto usando tornozeleira eletrônica.
Outro alvo, o empresário Nelson Tanure, foi abordado pela polícia antes de embarcar do Rio para Curitiba, teve o celular apreendido e é conhecido por investir em empresas em dificuldade em diversos setores. Outro investigado é João Carlos Mansur, fundador da Reag Investimentos, suspeita de participação em fraudes financeiras em parceria com o Banco Master e já investigada desde 2025 por indícios de ligação com o PCC.
Os investigadores suspeitam que Daniel Vorcaro desviava recursos do banco para si e familiares. A operação busca interromper o esquema e recuperar valores e bens, com bloqueio de R$ 5,7 bilhões determinado pelo STF. As apurações começaram em 2024 e, em 2025, o Banco Central decretou a liquidação do Banco Master.
Disputa institucional
O caso também envolve uma disputa institucional. Em novembro, o Banco Central determinou a liquidação extrajudicial do banco. A liquidação ocorreu após suspeitas de fraude na venda de carteiras de crédito do Master para o Banco de Brasília (BRB) no valor de R$ 12,2 bilhões. Para o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, essa pode ser a “maior fraude bancária” do país.
No entanto, a liquidação pelo BC passou a ser questionada. O Tribunal de Contas da União (TCU) determinou uma inspeção em documentos relativos ao processo.
Nesse meio tempo, o BC começou a ser alvo de ataques digitais com o objetivo de desacreditar a sua atuação. A PF apura pagamentos milionários a influenciadores. Diante das fraudes detectadas, a tendência é que o parecer técnico respalde a decisão da autoridade monetária.
O caso Master chegou ao Supremo Tribunal Federal (STF) no fim do ano passado por decisão do ministro Dias Toffoli. Relator do tema, ele determinou sigilo sobre todo o processo. Uma das primeiras medidas foi uma acareação no tribunal.














