Redação
O prefeito de Maceió, João Henrique Caldas (JHC), ingressou com ações judiciais contra a jornalista Bleine Oliveira e o jornal Folha de Alagoas para retirar do ar materiais que abordam a aplicação milionária realizada pelo Instituto de Previdência dos Servidores Públicos de Maceió (IPREV) no Banco Master, instituição investigada por fraude e que teve a falência decretada pelo Banco Central (BC).
Nas intimações, a Justiça determina a remoção, no prazo de 24 horas, de publicações que falam do investimento de R$ 117 milhões do IPREV Maceió no Banco Master, realizado sem a cobertura do Fundo Garantidor de Crédito (FGC). Em caso de descumprimento, foram fixadas multas diárias, além da proibição de novas postagens com o mesmo teor, sob pena de novas sanções.
Em nota de solidariedade, o Sindicato dos Jornalistas de Alagoas destacou a necessidade de defender a liberdade de expressão e a democracia. “Sempre defendemos o direito à opinião e estamos ao lado dos que lutam por uma imprensa plural. Em tempos de redes sociais, nossa categoria enfrenta os desafios universais dessas plataformas que ainda não possuem regulamentação”, diz um trecho do posicionamento.
Confira a nota na íntegra:
O Sindicato dos Jornalistas Profissionais de Alagoas vem a público manifestar solidariedade à jornalista Bleine Oliveira, alvo de recente decisão judicial que impôs a retirada de um vídeo publicado nas redes sociais com críticas ao prefeito de Maceió, JHC.
Sempre defendemos o direito à opinião e estamos ao lado dos que lutam por uma imprensa plural. Em tempos de redes sociais, nossa categoria enfrenta os desafios universais dessas plataformas que ainda não possuem regulamentação.
Temos a certeza de que a jornalista Bleine Oliveira, com sua vasta experiência, não negaria o espaço ao contraditório do vídeo publicado em suas redes sociais.
Assim, reafirmamos que a liberdade de expressão é um pilar inegociável de qualquer sociedade democrática. O diálogo e a diplomacia evitam conflitos.
Sendo assim, o Sindjornal mantém seu compromisso a favor da democracia, contra a censura, em defesa da imprensa e na proteção aos jornalistas.
Diretoria do Sindjornal
Caso Master e Iprev Maceió
O Banco Master foi alvo, em novembro, da Operação Compliance Zero, da Polícia Federal, que revelou um esquema fraudulento de emissão de títulos de crédito falsos por instituições integrantes do Sistema Financeiro Nacional. O dono do Master, Daniel Vorcaro, foi preso e é investigado por crimes como gestão fraudulenta, organização criminosa, entre outros.
Em Maceió, a gestão do prefeito JHC aplicou R$ 117 milhões do Iprev em letras financeiras do Banco Master. À época, a operação já era considerada de alto risco, devido à instabilidade financeira da instituição. Além disso, o investimento foi feito sem a proteção do Fundo Garantidor de Crédito (FGC), que resultou na perda do dinheiro.
No Brasil, dos 18 fundos municipais de previdência que realizaram aportes em letras financeiras do Banco Master, sete eram ou ainda são assessorados pela consultoria Crédito e Mercado, condenada na última terça-feira (20) por gestão temerária. A empresa é a mesma contratada para prestar consultoria ao Iprev Maceió.
Em esclarecimento, o Ministério da Previdência Social informou que estados e municípios envolvidos no esquema do Banco Master deverão utilizar recursos próprios para garantir o pagamento de aposentadorias e pensões de servidores públicos.
O prejuízo pode resultar na cobrança de taxas extras ou contribuições adicionais de servidores da ativa, aposentados ou pensionistas para compensar eventuais déficits financeiros.














