Redação
O Ministério Público Estadual de Alagoas (MP/AL) ainda não designou um substituto para a promotora de Justiça Gilcele Dâmaso de Almeida Lima, que estava à frente das investigações sobre o investimento do Instituto de Previdência de Maceió (Iprev) no Banco Master. Ela deixou o caso na segunda-feira (26) por motivos pessoais.
Em dezembro, a promotora solicitou o arquivamento das apurações sobre o Iprev Maceió, sob a justificativa de que já existia outro registro formal tratando do mesmo assunto. O ex-prefeito e vereador Rui Palmeira (PSD) havia protocolado um pedido de apuração dos aportes feitos pelo órgão em ativos sem cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC).
De acordo com documentos encaminhados ao MP/AL, o Iprev destinou R$ 168,5 milhões a duas aplicações consideradas arriscadas. Do total, R$ 117,9 milhões foram investidos em letras financeiras emitidas pelo Banco Master, enquanto R$ 51,48 milhões foram aplicados em cotas do NEST Eagle Fundo de Investimento Imobiliário.
A promotora, designada às apurações, é irmã de José Gilvan Ribeiro de Almeida Filho, conhecido como Júnior Dâmaso, que possui cargo comissionado como chefe de gabinete no Gabinete Civil de Maceió (GABCIVIL), órgão diretamente vinculado ao prefeito João Henrique Caldas (JHC), com salário bruto de R$ 13,6 mil.
Outros arquivamentos
A denúncia apresentada pelo deputado estadual Lelo Maia (União Brasil) sobre a existência de uma suposta “máfia das multas” no trânsito de Maceió, envolvendo o Departamento Municipal de Transportes e Trânsito (DMTT), também foi arquivada pela promotora.
Na queixa, Lelo afirma que existe um esquema no qual guinchos apreendem o maior número possível de motocicletas. Segundo ele, cada veículo apreendido paga cerca de R$ 120 em taxas, e uma única viagem poderia render entre R$ 1.200 e R$ 1.500. Além disso, o parlamentar destaca que o DMTT teria multado condutores várias vezes por uma única infração, repetindo a autuação em questão de minutos.
No despacho, o arquivamento da denúncia foi determinado por falta de provas que sustentassem as acusações. A promotora afirmou ainda que a instrução preliminar para a abertura de investigação não poderia se prolongar indefinidamente com base em alegações genéricas, sob pena de violação ao princípio da eficiência administrativa.
Ligação Familiar e Prefeitura
Em outubro de 2025, a promotora de Justiça Gilcele Dâmaso foi designada para apurar a denúncia sobre investimentos milionários do Iprev no Banco Master. Ela é irmã de José Gilvan Ribeiro de Almeida Filho, conhecido como Júnior Dâmaso, que integra a folha de pagamento da Prefeitura de Maceió em cargo vinculado ao gabinete do prefeito.
Após ser derrotado nas eleições municipais de Marechal Deodoro, em 2024, Júnior Dâmaso foi nomeado, em fevereiro de 2025, para um cargo na Secretaria Municipal de Gestão de Pessoas e Patrimônio (Semge), por indicação do prefeito JHC.
No mês seguinte, em março de 2025, ele foi exonerado da função para assumir o cargo de chefe de gabinete da Coordenação Executiva de Relações Públicas e Comunicação Organizacional da prefeitura. Atualmente, ele atua como chefe de gabinete no Gabinete Civil de Maceió (GABCIVIL), órgão diretamente vinculado a JHC.














