Por Hemilly Souza
Esta quarta-feira (4) marca 51 anos do desaparecimento do jornalista e advogado alagoano Jayme Amorim de Miranda, ocorrido em 4 de fevereiro de 1975, após sair de sua casa no bairro do Catumbi, no Rio de Janeiro. Militante do Partido Comunista Brasileiro (PCB), ele foi capturado por agentes da repressão na ditadura militar.
Nascido em Maceió, Jayme havia sido preso ainda em Alagoas por sua atuação política e jornalística durante o governo de Arnon de Mello, pai do ex-presidente Fernando Collor. No presídio da capital alagoana, onde cumpriu um ano de reclusão, ele era proprietário do jornal A Voz do Povo, orientado editorialmente pelo PCB.
Durante o período em que esteve preso, atuou como advogado na defesa de detentos comuns, orientando familiares a pressionarem o Judiciário e denunciando arbitrariedades do sistema prisional. Após o golpe militar de abril de 1964, o jornal foi fechado e Jayme acabou novamente preso.
Um ano depois, foi posto em liberdade e passou a viver vigiado, sendo obrigado a se apresentar semanalmente a uma unidade militar. Com suspeita de câncer na laringe, viajou ao Rio de Janeiro para buscar tratamento médico e deixou de se apresentar às autoridades do regime, o que levou a polícia a interrogar seu pai e a prender seu irmão, Haroldo.
Dirigente do PCB, Jayme esteve diversas vezes na União Soviética e chegou a manter uma conversa direta com Mao Tsé-tung, em Pequim, sobre o conflito sino-soviético. Poliglota, ele traduzia clandestinamente textos para importantes jornais do Rio de Janeiro e de São Paulo, o que ajudava no sustento da família.
Jayme deixou a esposa, dona Elza, e quatro filhos. Apesar do reconhecimento oficial de seu desaparecimento pela Lei nº 9.140/1995 e da concessão de anistia política em 2007, seus restos mortais nunca foram localizados. Alagoas contabiliza seis mortos e três desaparecidos políticos durante a ditadura militar.
O Grupo de Justiça de Transição do Ministério Público Federal (MPF) revelou a atuação de agentes da repressão, como Carlos Setembrino da Silveira e Carlos Alberto Brilhante Ustra, no crime cometido contra Jayme. Segundo as apurações, laudos necroscópicos foram falsificados pelos legistas Abeylard Orsini e João Pagenotto, com o objetivo de encobrir as torturas e a violência sofridas por ele.
/com informações do Acervo – mortos e desaparecidos políticos















