Redação*
Um homem foi condenado a 33 anos, dois meses e 19 dias de prisão pelo assassinato da ex-esposa, a professora Joice dos Santos Silva Cirino, de 36 anos, envenenada com coxinhas no município de São Brás, no Agreste alagoano. O julgamento ocorreu nesta quarta-feira (11) e durou mais de 13 horas.
O réu, Felippe Silva Cirino, ex-marido da vítima, foi condenado por feminicídio consumado e tentativa de homicídio contra o filho do casal, que também ingeriu o alimento envenenado. A pena deverá ser cumprida inicialmente em regime fechado.
De acordo com o Ministério Público do Estado de Alagoas (MPAL), a acusação foi sustentada com as qualificadoras de motivo fútil, meio cruel e feminicídio. O julgamento foi acompanhado por dezenas de pessoas que se reuniram do lado de fora do fórum da cidade, já que o acesso ao plenário foi restrito.
Pela morte da professora, Felippe Cirino recebeu pena de 27 anos de prisão. Já pela tentativa de homicídio contra o filho, que tinha 15 anos na época, a condenação foi de seis anos, dois meses e 19 dias de reclusão.
Segundo o Ministério Público, o crime foi premeditado. Antes do episódio que resultou na morte de Joice, o réu já teria tentado envenená-la ao oferecer açaí contaminado, mas não conseguiu concluir o plano.
Durante o julgamento, o promotor de Justiça Alex Almeida destacou que o caso evidencia a violência motivada pela não aceitação do fim do relacionamento. A acusação também apontou que o réu agiu com crueldade ao oferecer o alimento envenenado como se fosse um gesto de cuidado.
As investigações também indicaram que, após o crime, o homem tentou alterar a cena para eliminar vestígios que pudessem levantá-lo como suspeito.
Relembre o caso
O crime ocorreu na noite de 8 de outubro de 2024. Segundo a investigação, Felippe Cirino foi até a casa onde morava com a ex-esposa e o filho levando um pacote com 20 coxinhas, que foram oferecidas aos dois.
Após consumir o alimento, Joice passou mal e foi encontrada caída no chão pelo filho, com espuma na boca. O próprio réu a levou para uma unidade de saúde em Porto Real do Colégio, mas a professora morreu cerca de cinco horas depois, vítima de intoxicação.
Dez dias após a morte, exames realizados pelo Instituto de Criminalística de Alagoas apontaram a presença das substâncias sulfotep e terbufós no organismo da vítima, compostos altamente tóxicos associados a pesticidas.
O filho da professora também ingeriu as coxinhas e precisou ser internado, após exames detectarem sinais de envenenamento em seu organismo.
/com MPAL















