Em uma das frentes do esforço para dar sobrevida ao banco, os executivos do banco estatal têm uma reunião no Banco Central (BC) nesta terça-feira às 17h em que vão pedir à autoridade monetária prazo de pelo menos mais um mês para negociar uma última alternativa de salvamento.
Em paralelo, a governadora Celina Leão (PP) vai procurar o presidente Lula e pedir que ele autorize os bancos estatais como Caixa e Banco do Brasil a participar do socorro ao BRB. Celina assumiu o cargo na segunda-feira após a renúncia de Ibaneis Rocha (MDB) para disputar uma vaga de senador na eleição de outubro. Ela mesmo é candidata ao governo.
Como Lula deu ordem unida aos integrantes de seu governo para se manterem longe do imbróglio do BRB, só mesmo ele agora para inverter a orientação.
Combinar com os russos
Pelo que se diz nas reuniões fechadas do banco estatal, a solução a ser apresentada ao BC envolveria um empréstimo de R$ 4 bilhões do Fundo Garantidor de Crédito (FGC), mais R$ 3 bilhões obtidos com a venda de alguns dos terrenos do governo do Distrito Federal que não estejam ligados a empresas públicas ou tenham complicações burocráticas. Esses terrenos seriam assumidos por um fundo formado por investidores privados.
Falta, porém, combinar com os russos – ou seja, com o próprio FGC. Fontes da cúpula dizem que não há a menor chance de o fundo emprestar dinheiro sozinho ao banco de Brasília. O FGC só entraria em algum esforço de salvamento se fosse em um consórcio com a participação de todos os grandes bancos. Até agora, porém, não há nada de concreto sobre isso no mercado.
No governo do Distrito Federal, a esperança é de que a saída de Ibaneis Rocha do governo abra um período de mais boa vontade do governo federal e do BC com o banco.
Ibaneis, que deu uma entrevista na sexta-feira afirmando que não tinha como avaliar a compra do Banco Master porque não sabe “nem passar um Pix”, é tido como alvo certo de uma futura delação de Daniel Vorcaro. Além disso, ele era o avalista de Paulo Henrique Costa, o presidente do BRB à época da tentativa de compra do Master, no comando do banco.
Ao assumir o governo, Celina fez questão de dizer que não participou de nenhuma decisão e nem sequer foi consultada sobre a compra do Master pelo BRB. Seu primeiro desafio no cargo será desfazer o nó que o antecessor deixou. O único problema é que talvez seja tarde demais.
/com O Globo















