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Bonecos Gigantes percorrem ladeiras de Olinda na terça de carnaval

28 de fevereiro de 2017
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Foto: Sumaia Villela/Agência Brasil

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Lá vem o gigante descendo a ladeira, balançando de um lado para o outro, com os braços soltos. Ou melhor, 50 gigantes, envoltos em uma multidão que vibrava com o frevo, pequena ao lado dos maiores foliões do carnaval. O Encontro dos Bonecos Gigantes de Olinda percorreu as ladeiras pelo 30º ano consecutivo na manhã de hoje (28), animando o povo com um dos símbolos da folia pernambucana.

Medindo em média 3,4 metros quando montado, os bonecos são levados na cabeça e nas costas dos bonequeiros. O movimento característico deles se faz rodando; assim, os braços soltos do gigante giram de um lado para o outro, atingindo de leve algum desavisado e entretendo o pessoal que está em volta, que brinca de desviar das mãos giratórias.

O encontro começou no Largo do Guadalupe, desceu para o tradicional Quatro Cantos, cruzamento de Olinda que vive cheio e por onde passam vários blocos, e seguiu para a Prefeitura. O encerramento está previsto para 14h no Largo do Varadouro.

No 30º encontro, uma novidade são os 40 bonecos mirins, de tamanho menor. Segundo Sílvio Botelho, organizador do encontro e artista plástico que fabricou vários dos ícones dessa cultura em Pernambuco, é uma forma de continuar a brincadeira entre gerações, atraindo crianças e envolvendo os filhos das pessoas que fazem a cultura dos bonecos gigantes. Para combinar com a proposta, o Palhaço Chocolate foi escolhido como homenageado deste ano. A sua representação abria o cortejo dos gigantes.

Nos dias de carnaval de Olinda, não é difícil encontrar crianças admiradoras dessa manifestação cultural: de fantasias do Homem da Meia Noite, o mais antigo deles, a bonequinhos em miniatura sendo levados pelos pequenos. Para a empresária do Recife Renata Passos, de 45 anos, que sempre aparece em Olinda na terça-feira para acompanhar a passagem dos bonecos, não são só as crianças que gostam de pegar na mão e de dançar com os gigantes. “Adulto também adora”, ri. “Na dança, na brincadeira como um todo. Faz parte da gente, né?”

A tradição pernambucana tem origem em outro continente, de acordo com o artista plástico Sílvio Botelho. “A origem do boneco gigante está datada de 800 anos, em Portugal. Chegou ao país em 1919, em Belém do São Francisco. Chegando aqui ficou timidamente e a história acabou. Renasceu em Olinda, em 1932, com o primeiro boneco com o nome de Homem da Meia Noite”, explica.

Encontro de personalidades

Personalidades da vida real também caem na folia em forma de bonecos. Eles são feitos por Leandro Castro, criador da Embaixada de Pernambuco, onde expõe os gigantes fabricados por ele. São artistas brasileiros e estrangeiros e outras pessoas conhecidas, inclusive presidentes do Brasil, que são retratados desde Fernando Henrique Cardoso. Segundo Leandro, para evitar o uso do boneco em protestos espontâneos, o presidente Michel Temer ficou apenas em exposição e não saiu às ruas ontem (27), dia em que Castro fez seu desfile em Olinda.

Já o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o ex-presidente Obama pularam o carnaval. “A gente não usa nossos bonecos de forma caricata. Na verdade queremos materializar ícones”, explica. “O Obama, como ele já deixou de ser presidente, aí sim a gente fez uma brincadeira e está caracterizando ele como Tio Sam negro, até para se contrapor ao Donald Trump, que é realmente polêmico”, acrescenta.

Criar bonecos de pessoas famosas e personalidades políticas não é consenso entre os artesãos. Sílvio Botelho só cria personagens ou representantes da cultura popular pernambucana. “Dona Selma do Coco eu transformei em boneca, então o povo tem aquele sentimento. Spok, Maestro Forró, Velho Manguaba, Lia de Itamaracá”, cita. Sobre o outro tipo de representação de pessoas reais, o artesão justifica: “Se fosse uma sátira, você tem uma leitura temática, mas não é o caso. Quando só há interesse financeiro, isso eu não faço.”

Fonte: EBC

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