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Quem são os fundadores da miniusina de castanhas na Bacia do Rio Xingu

26 de outubro de 2018
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Francisca da Chaga Araújo, a dona Chaga, matriarca da comunidade Rio Novo, trabalha quebrando castanhas. Processamento da castanha na mini usina da Comunidade do Rio Novo, um afluente do rio Iriri na Terra do Meio.

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Foi Dona Francisca da Chaga Araújo, dona Chaga, como é conhecida na Comunidade do Rio Novo, quem iniciou junto com seu marido Aguinaldo Rodrigues a instalação da miniusina de castanha, hoje sob cuidado dos seus filhos Marlon e Raimunda.

Dona Chaga representa bem a popualação local. Seu avô materno veio do Piauí para trabalhar nos seringais e pelo lado paterno seu parentesco é indígena, dos povos Kuruaya e Xipaya.“Meu pai era índio, minha mãe era branca e a gente é mestiço. Meu pai era índio; foi pego no mato. Ele era Xuruaya e o pai dele era Xipaya”, conta.

A avó materna veio do Maranhão e trabalhava com o coco do babaçu, técnica que passou de geração em geração. O começo do trabalho de beneficiamento de produtos extrativistas começou justamente com o óleo do babaçu. “Eu tirava o óleo de coco no pilão, tirava o coco, botava pra secar ia lá tirava o óleo; é difícil para nós comer esse óleo de soja”, conta ela.

Francisca da Chaga Araújo, a dona Chaga, matriarca da comunidade Rio Novo, trabalha quebrando castanhas. Processamento da castanha na mini usina da Comunidade do Rio Novo, um afluente do rio Iriri na Terra do Meio.

Além da retirada do óleo da amêndoa, Dona Chaga e seu marido Aguinaldo Ribeiro foram até Uruará, para conhecer uma experiência de agricultores locais para fazer farinha com mesocarpo – parte da semente do babaçu, rica em fibras, cálcio, ferro, minerais e nutrientes. Foi assim que começaram a estruturar a miniusina do Rio Novo.

Ainda hoje a lógica de negociação entre o extrativista e a cantina remete a uma forma antiga de relação econômica estabelecida na Terra do Meio com a ocupação dos seringais para produção de látex durante a Segunda Guerra Mundial.

O sistema de aviamento se baseia em um registro de créditos e dívidas pelos quais as famílias de beiradeiros – como são conhecidos os moradores das margens dos rios nessa região – acessam mercadorias industrializadas e adiantamento em dinheiro que são pagos posteriormente com a entrega do extrativismo local, como a castanha e a pesca.

A prática foi adotada nos barracões onde os seringueiros negociavam a borracha que produziam em troca de produtos fornecidos pelos patrões. A saída de mercadorias de forma adiantada e a entrada de borracha eram registradas em um caderno e convertidas em saldo ou dívida para o seringueiro ao final da safra.

Com o declínio da produção da borracha, outras formas de extrativismo ganharam força na região, como a castanha-do-pará, a pesca e a captura de animais silvestres, especialmente felinos, para a venda do couro, prática conhecida na região como “caçada de gato”, cujo comércio é proibido por lei desde 1967.

“Tudo era na troca, moço. Se você pegasse um peixe, trocava por sabão, açúcar, café, óleo. Era o peixe, era a castanha, que a seringa já tinha acabado. A gente trabalhava de primeira era com seringa, era com caçada de gato”, lembra dona Chaga.

Detalhe da castanha sendo quebrada. Processamento da castanha na mini usina da Comunidade do Rio Novo, um afluente do rio Iriri na Terra do Meio.

Com a saída dos seringalistas da região, a troca passou a ser feita com barqueiros. Conhecidos como regatões, esses comerciantes itinerantes sobem os rios da região vendendo mercadorias e comprando produções locais, especialmente o peixe para vender aos centros urbanos de Altamira e São Félix do Xingu.

O período conhecido como segundo ciclo da borracha, que retomou a produção nos seringais na década de 1940, marcou a ocupação da região com a vinda de trabalhadores trazidos pelo Estado, principalmente do Nordeste. Os beiradeiros têm suas origens ligadas a esses trabalhadores nordestinos e aos aos povos indígenas tradicionais ocupantes dessas áreas – Arara, Araweté, Asurini, Juruna,, Kayapó, Kuruaya e Parakanã e Xipaya.

AB

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